12.10.11

A Descrição

Quando eu o vi pela primeira vez, a paisagem era gelada. Uma praia feita de gelo. Nada se movia, nem as ondas do mar.

O homem de chapéu estava escorado na viga de madeira de um píer, ao seu lado estava a agua do mar parada. A estrutura de madeira passava sobre sua cabeça.

Era um homem alto, aparentando entre um metro e oitenta e cinco e um metro e noventa de altura.
Estava escorado no pilar de madeira com uma das pernas dobradas na altura do joelho; escorado elegantemente e levemente curvado, prestes a ascender o cigarro: com uma das mãos bloqueando o vento para que a brasa pudesse resistir.

O chapéu preto era interessante: abas largas e uma fita negra por cima da aba circulando a parte alta do chapéu. Parecido com a figura de um gangster, porém as abas eram mais largas.

Nunca pensei que o negro pudesse adquirir tantas tonalidades diferentes: seus cabelos eram irreconhecivelmente pretos e lisos, escorridos, oleosos e pendiam até os ombros. As mechas dividiam-se em duas, metade para frente dos ombros e outra metade para trás.

Sua pele era branca e pálida, suas sobrancelhas não tão grossas. Os olhos eram negros, impenetráveis e melancólicos-expressivos-... os cílios não tão grandes. O nariz era afinado, como um nariz feminino. Seus lábios eram normais, levemente finos e projetados delicadamente para frente. Enquanto levava o cigarro para a boca, ele sorria ironicamente: o lado esquerdo da sua boca, um sorriso lateral mostrava alguns de seus dentes brancos e era interessante como seus músculos faciais se adequavam simetricamente perfeitos ao sorriso. Exalava um ar de sarcasmo e arrogância no sorriso. E o olhar fulminava qualque certeza.
Sua expressão era aterradoramente sedutora. Em geral ele tem um rosto elegante.

Vestia uma camisa social branca por baixo do paletó e da gravata negra. O paletó parecia engomado, como se tivesse sido envernizado por fora. Parecia brilhar, ou algo assim. Já a gravata possuía um nó grosso.

Usava um cinto preto e a fivela na frente de prata possuía um símbolo: um circulo perfeito cortado por linhas paralelas, todas dentro do circulo. Formando jogo da velha, como num caderno de criança para as aulas de matemática.

A calça negra, simetricamente perfeita e lisa, como se estivesse sido retirada recentemente da loja, a linha de que havia sido dobrada perfeitamente estava alí.

Os sapatos negros recentemente engraxados, brilhavam na luz noturna da lua.

Por cima de tudo o sobretudo negro com grandes botões cobriam o seu corpo como uma pele gigante. Porém, não estavam abotoados. Um detalhe interessante é que como ele estava com uma das pernas dobrada na altura do joelho e escorado no píer, parte do sobretudo não tocava o solo, mas as pontas de um lado e do outro tocavam o solo.

O vento soprava e o homem de chapéu curvava-se delicadamente para ascender o cigarro, sua cabeça levemente inclinada para a frente: o vento dobrava um pouco a aba do chapéu. Um dos olhos não era possível ser vistos, por causa do movimento de mãos que ele fazia para ascender o cigarro e bloquear o vento na brasa. Mas de alguma forma era possível saber que ele estava te olhando e o sorriso continuava alí, como descrito anteriormente.

Caminhei até ele e perguntei: Você é mau?
Ele respondeu: Estive em muitos mundos antes de parar neste, alguns me chamavam de Deus, outros de Demônio.
Aqui foi diferente, póis eles me perguntavam "Por que?".

O homem de chapéu sorriu, me ofereceu um cigarro e caminhou andando sob a água congelada.

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