19.8.11

Verdades difíceis.

Pensei que nunca mais ia vê-lo, homem de chapéu.

Eu estava sentado no banco de um parque e na minha frente - a uns 10 metros- encontrava-se um grande lago, ao lado do banco uma arandela que piscava sem parar. Ficava sentado ali esperando as respostas na minha mente quando o homem de chapéu veio caminhando em minha direção, pelo lado oposto ao da lâmpada; enquanto ela piscava via a imagem do homem de chapéu aparecer e desaparecer, até que ele chegou perto o suficiente.

Homem de chapéu, porque eu estou lhe vendo novamente, por que? Pensei que tivesse encontrado uma forma de eliminá-lo. Pensei que podia alterar o meu destino.

O homem de chapéu me deu as costas, levantou o braço esquerdo e retirou o chapéu com uma das mãos. Seus longos cabelos negros caiam sobre o paletó em seus ombros. Ele inclinou a cabeça para baixo e fez menção de estar acendendo um cigarro... eu vi a fumaça. Voltou a ficar de frente para mim, me olhou nos olhos - me sentia com frio agora-. Seu olhos e cabelos eram negros como a noite, como o nada - nihil-.

-Garoto, o que você faz ou deixa de fazer apenas altera em maior ou menor tempo a concretização do que já está previsto- Disse aquela figura monstruosa.

-Não pode ser, então nada que eu faça vai alterar o meu destino? Não pode ser...e se eu te matar agora homem de chapéu, isso tudo vai terminar, tenho certeza, vou matá-lo agora homem de chapéu.

Me levantei do banco apontando uma arma automática 9mm que puxei da cintura na velocidade de um raio. Estava frente a frente com o homem de chapéu. O laser estava trêmulo por causa de minhas mãos vacilantes. Porém estava centrado no meio de sua testa- o homem de chapéu sorriu.

-Garoto, a morte é um privilégio dos seres inferiores, incapazes de conviver com si mesmos por tempo maior que um testudines sobrevive nesse mundo.

Atirei antes de entender o que ele havia dito. Vi uma luz verde e a bala ficou lenta, via ela percorrendo o caminho e cortando o ar lentamente enquanto o homem de chapéu caminhava sem hesitar, em direção a ela. Atravessou-lhe a testa que parecia ser feita de fumaça, todo ele parecia ser fumaça.

-Viu agora garoto? -disse o homem
Me inclinei andando para trás e apontei a arma para minha própria cabeça. E se eu me matar agora, maldito, o quê vai acontecer em?

-Nada acontecerá e você retornará a este local a este instante e teremos essa mesma conversa; terá a chance de tomar outra decisão. Apenas isso.

-Não pode ser, o que é este mundo? É um pesadelo. Tudo que eu fizer, não importa o quê: eu não tenho escolha!

-A escolha é apenas um processo fisiológico de desenvolvimento contínuo da consciência. Nenhuma animal a possui exceto o homem, porém isso não faz dele melhor ou pior, sua consciência é um órgão em desenvolvimento; a escolha é apenas algo inventado por ela, para desenvolver-se como um organismo qualquer.

O choque foi tremendo, por um momento a minha consciência tomou "consciência" das mentiras perpetradas por ela mesmo, dos erros e confusões geradas por ela própria. Mas é como se eu não pudesse compreender, a consciência é incapaz de olhar para dentro dela mesma.

-Então veja garoto, se eu disser mais alguma coisa, tornarei a sua existência extremamente dolorosa. Serei compassivo com você, parodiando o mestre da sua época- o homem de chapéu sorria-.

-Por queeeeeeee? Por queeeeeeeee? - enquanto gritava eu caia ajoelhado na grama e a arrancava da terra.

-Veja como o ser humano é patético: isso é tudo que pode fazer? - disse ironicamente.

-Cansei de suas colocações estúpidas homem de chapéu.
Levantei-me do chão e corri em direção a ele , desferi um soco em seu peito, porém meu braço atravessou-o como numa nuvem de fumaça.

-O material de que você é feito demonstra o péssimo gosto que a sua "natureza" possui. Imagem e semelhança do criador? ha-ha-ha, como são ingênuos.
Imagine que você assista um filme, cujo final ja é sabido... imagine que apesar de todos os esforços dos personagens você ja saiba que ele vai vencer ou perder, não importa o que aconteça o final será o mesmo.
Sua vida é assim, e não só a sua... mas a de todos neste mundo. Um dia todos terão acesso a essa informação e suas consciências sofrerão. Eu tenho acesso a todas as verdades que o homem pode suportar, porém existem coisas que nem eu sei ha-ha-ha, mas acredite garoto, você não quer saber o que eu sei.
Em uma época distante o homem me adorou, criou templos negros em meu nome, fizeram cultos, sacrifícios e me chamavam de "time walker". Quisera ser como eu.

- Certo homem de chapéu- dizia eu deitado na grama olhando para cima. O que eu devo fazer? Homem de chapéu?
Ele se fora, e um chapéu negro lentamente vinha do céu em minha direção. Levantei o braço e peguei.


Um comentário:

Anônimo disse...

quero a continuação.. Vc está escrevendo cada vez melhor! Parabéns