2.1.11

Fragamentos do "Diálogo com a sombra".

A tela da TV, em todos os canais, só passavam comemorações de ano novo. Dois mil e onze era agora o destino de todos nós! Levantei do balcão entornando o resto de whisky goela a dentro e juntamente com uma nota de $50 devolvi o copo ao balcão sujo, na esperança de que a nota continuasse alí até que o barman a pegasse. Caminhei em direção à saída escutando os murmurinhos e felicitações um dos outros, peguei o meu casaco no porta casacos, abri a porta e um vento frio praticamente me cortou a espinha. Porém, eu não podia voltar. Ajeitei a gola do casaco e agora eu estava na rua, caminhando... meus olhos não estavam muito bem, pareciam tontos. Talvez fosse o efeito do álcool: não importava, porque eu não sabia onde queria chegar.

Quando dei por mim eu estava em um beco escuro e uma voz rouca gritava: É UM ASSALTO! ME PASSA A SUA CARTEIRA, SEU ALMOFADINHA DE MERDA!. Sem entender muito bem o que se passava eu desejei um feliz ano novo ao ladrão e agradeci a gentileza. No entanto, este fato o desagradou, fazendo com que o mesmo desferisse um murro na minha face que me jogou no chão. Então sem me mover e com os olhos voltados para cima eu disse que só tinha um cartão de crédito com limite estourado e uns trocados na carteira... Furioso ele sacou o revolver, ou eram dois revolves? Eu não enxergava muito bem.

Puxa o gatilho e você me fará favor...apenas um motivo, uma razão é tudo que eu preciso para me ver fora deste mundo- eu disse.
Seu desejo será realizado, vejo você no inferno- disse o ladrão.
Um rosto se formava no rosto do ladrão, um rosto de sorriso irónico e dentes brancos que brilhavam na luz do luar. Homem de chapéu!- eu gritei.

Quando ele puxou o gatilho tudo desacelerou e o projetil vinha linear em direção ao meu corpo caído no chão, cortando o ar e as gotas d´agua (percebera agora o tempo chuvoso), porém eu era incapaz de me mover. Era como se o destino fosse ela, prestes a ser atropelada, atravessando uma rua; e eu atrás de um vidro transparente esmurrando-o sem poder fazer nada.

Meu corpo foi atingindo... então pensei que tudo acabaria bem. Mas não!!!... eu ainda estava respirando, me levantei e o ladrão saiu correndo em disparada.
Idiota não presta nem para puxar o gatilho-gritei.

Olhei ao meu redor e a chuva caia normalmente, meus olhos estavam bons e eu não estava mais tonto. Todavia ao olhar para o chão verifiquei um corpo estendido... era o meu corpo! Abaixei e tentei tateá-lo mas minhas mãos o penetravam. Olhei para minhas mãos e levantei estupefato. SIMMM eu estou morto! Olhei para cima e vi uma luz - já vi isso em relatos de vida após a morte no Discovery, pensei-.

Descia dessa luz uma linda mulher de longos cabelos louros, olhos azuis e vestido branco.

Ela estava a uns dez metros a minha frente... caminhei em direção a ela e ela em direção a mim, mas quando ia toca-la duas sombras, sabe-se lá de onde saíram me agarraram cada uma por um braço e me afundaram no solo. E não importava o quanto lutasse eu cada vez mais descia mais fundo.

Aproveitei para apreciar aquela paisagem mórbida de terra, carvalho, pedra e mais pedra , agua, pedra e finalmente magma. Quando pensei estar no centro da terra, um lugar de beleza peculiar se fazia diante de meus olhos... era grande e eu estava voando junto aquela sombra. Até que ela me largou e eu caia, caia , caia , caia... não parecia ter fim, mas finalmente cheguei ao solo: um estrondo enorme se ouviu por todo local: era o meu corpo tocando o chão.

Levantei-me com cuidado e sentindo muita dor... o local era um planície gramada, uma grama vermelha. O céu era vermelho e trovões riscavam esse céu.

Por alguns minutos fiquei extasiado olhando para essa paisagem "divina", quando derrepente, em minha direção vinha uma figura estranha caminhando delicadamente. Uma figura feminina e masculina, mais masculina do que feminina... alto, deveria ter 1.90 de altura, longos cabelos negros como a noite, olhos negros e pele extremamente pálida, parecia ter o rosto carregado de uma maquiagem branca que se desfazia a medida que lágrimas escorriam de seus olho... lágrimas que pareciam ficar negras, na medida em que escorriam e borravam a maquiagem.

Enquanto caminhava em minha direção, a criatura estendia os braços como o cristo redentor , cartão postal do Rio de Janeiro. Quanto mais se aproximava assas ficavam visível e cada vês mais visível, assas negras que eclodiam de suas costas em direções opostas. Grandes assas negras.

Um grande poder circulava aquela figura, tanto poder que quase me obrigava a ajoelhar e louvar; e cada vez que se aproximava ficava mais forte. O meu espírito ou, seja lá o que eu fosse, estava em êxtase... o medo não era uma opção.

A mais ou menos uns cinco metros de distância de mim eu disse: É você.... é você... LÚCIFER?. continua>>>

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