19.11.11

Faces obscuras do amor

Quando ainda ele era jovem, perdia-se nas paixões e amores platônicos... isso sempre acontecia, desde de sua tenra infância. Ele a via e então imaginava um grande pedestal e a colocava lá, doce e intocável. Nem ao menos podia dirigir-se ela, pois era boa de mais, quase uma deusa.

Gostava muito de escutar, a-ha, Peter Cetera, alphaville, etc. Todas bandas românticas que fizeram sucesso nos anos 80 (oitenta). E que talvez tivessem piorado suas doces ilusões.

Não se sentia mal, muito pelo contrário, parecia real e ele estava protegido em seu mundo imaginário, onde tudo acontecia como ele previa, cada gota de chuva, cada balançar das árvores. Ele podia prever cada emoção que tivera com sua amada. Podia também ter dela tudo que quisesse.

Pode parecer absurdo mas era possível sentir o calor de seu abraço, o frio de nadar em um lago... mas jamais ele imaginava a dor de ser rejeitado ou abandonado.

Certo dia ele estava caminhando pelos grandes corredores da universidade em que estudava. Caminhava ao lado de seu único amigo enquanto conversava. Porém, sua atenção se desviou bruscamente para alguém que vinha em sua direção em sentido oposto. Era ela!!! A sua amada ilusão, vinha caminhando graciosamente conversando com suas amiguinhas...ele parou no meio do corredor, imóvel, seu amigo nada entendera.

Agora ele estava em um campo cheio de flores e ele a via correndo com um lindo vestido branco de princesa em direção a ele. Ela corria para o abraço.... mas ela passou por ele, simplesmente passou por ele.... deixando seu doce perfume. Era impossível pra ele imaginar, impossível! Era real , muito real.

Ei cara, vai ficar parado igual um idiota? Vamos logo, preciso comprar meu salgado gorduroso na cantina, mal posso viver sem ele. -disse o seu amigo.

Ele correu até o amigo:
-Ei , você não a viu?
-Quem?
-A garota de jaleco branco.
- Ah, acho que vi sim, porque?
-Ela não era linda?
-hum, bonitinha.

Bonitinha? Você não reparou em seus lindos olhos cor de mel e no seu gracioso jeito de andar? Seus cabelos claros que cuidadosamente ela ajeitava para trás da orelha; e o seu perfume? eu mal conseguia respirar... a forma como ela segurava os seus cadernos contra os seios. Tenho certeza que ela é muito estudiosa.

-humm, interessante, assim ela parece mesmo linda... Porque você não vai lá e diz isso pra ela? -disse o amigo, enquanto caminhavam em direção a cantina.

Mas como eu faria isso, ir lá e falar tudo isso pra ela. Isso é um absurdo como eu iria fazer isso, o que ela iria achar de mim?

Pobre garoto, ficou 6 (meses) pensando na melhor forma de se dirigir a ela... pensando em toda as hipóteses, tentando abarcar toda a realidade, como se fosse uma de suas ilusões.

Certo dia ele a viu, ela estava sentada sozinha em um banco próximo a cantina lendo um livro... então ele se aproximou calmamente. Ela desviou seu olhar compenetrado e eles se entreolharam......PAUSA : Passei 6 (seis) difíceis meses pensando em como dizer: "Olá".

Ela sorriu.

12.10.11

A Descrição

Quando eu o vi pela primeira vez, a paisagem era gelada. Uma praia feita de gelo. Nada se movia, nem as ondas do mar.

O homem de chapéu estava escorado na viga de madeira de um píer, ao seu lado estava a agua do mar parada. A estrutura de madeira passava sobre sua cabeça.

Era um homem alto, aparentando entre um metro e oitenta e cinco e um metro e noventa de altura.
Estava escorado no pilar de madeira com uma das pernas dobradas na altura do joelho; escorado elegantemente e levemente curvado, prestes a ascender o cigarro: com uma das mãos bloqueando o vento para que a brasa pudesse resistir.

O chapéu preto era interessante: abas largas e uma fita negra por cima da aba circulando a parte alta do chapéu. Parecido com a figura de um gangster, porém as abas eram mais largas.

Nunca pensei que o negro pudesse adquirir tantas tonalidades diferentes: seus cabelos eram irreconhecivelmente pretos e lisos, escorridos, oleosos e pendiam até os ombros. As mechas dividiam-se em duas, metade para frente dos ombros e outra metade para trás.

Sua pele era branca e pálida, suas sobrancelhas não tão grossas. Os olhos eram negros, impenetráveis e melancólicos-expressivos-... os cílios não tão grandes. O nariz era afinado, como um nariz feminino. Seus lábios eram normais, levemente finos e projetados delicadamente para frente. Enquanto levava o cigarro para a boca, ele sorria ironicamente: o lado esquerdo da sua boca, um sorriso lateral mostrava alguns de seus dentes brancos e era interessante como seus músculos faciais se adequavam simetricamente perfeitos ao sorriso. Exalava um ar de sarcasmo e arrogância no sorriso. E o olhar fulminava qualque certeza.
Sua expressão era aterradoramente sedutora. Em geral ele tem um rosto elegante.

Vestia uma camisa social branca por baixo do paletó e da gravata negra. O paletó parecia engomado, como se tivesse sido envernizado por fora. Parecia brilhar, ou algo assim. Já a gravata possuía um nó grosso.

Usava um cinto preto e a fivela na frente de prata possuía um símbolo: um circulo perfeito cortado por linhas paralelas, todas dentro do circulo. Formando jogo da velha, como num caderno de criança para as aulas de matemática.

A calça negra, simetricamente perfeita e lisa, como se estivesse sido retirada recentemente da loja, a linha de que havia sido dobrada perfeitamente estava alí.

Os sapatos negros recentemente engraxados, brilhavam na luz noturna da lua.

Por cima de tudo o sobretudo negro com grandes botões cobriam o seu corpo como uma pele gigante. Porém, não estavam abotoados. Um detalhe interessante é que como ele estava com uma das pernas dobrada na altura do joelho e escorado no píer, parte do sobretudo não tocava o solo, mas as pontas de um lado e do outro tocavam o solo.

O vento soprava e o homem de chapéu curvava-se delicadamente para ascender o cigarro, sua cabeça levemente inclinada para a frente: o vento dobrava um pouco a aba do chapéu. Um dos olhos não era possível ser vistos, por causa do movimento de mãos que ele fazia para ascender o cigarro e bloquear o vento na brasa. Mas de alguma forma era possível saber que ele estava te olhando e o sorriso continuava alí, como descrito anteriormente.

Caminhei até ele e perguntei: Você é mau?
Ele respondeu: Estive em muitos mundos antes de parar neste, alguns me chamavam de Deus, outros de Demônio.
Aqui foi diferente, póis eles me perguntavam "Por que?".

O homem de chapéu sorriu, me ofereceu um cigarro e caminhou andando sob a água congelada.

27.8.11

Cosmologia do chapéu.

Levantei da grama com o chapéu nas mãos; olhava-o atentamente diante de mim. Parecia ser feito de um couro estranho, era liso e escuro, sem sinal de costuras ou qualquer mínima falha. Olhei por dentro e também não havia costura, mas apenas um desenho: um circulo verde com linhas traçadas na horizontal e vertical.

Enquanto eu estava distraído com o chapéu nas mãos uma luz me iluminou, parecia o farol de um carro. Olhei para o céu e vi que centenas de naves espaciais estavam descendo; homens estavam em queda livre, centenas deles caiam ao meu redor. Olhei confuso e aterrorizado para tudo o que estava acontecendo, minha mente deu um giro de 360º e eu estava completamente cercado pelo que pareciam seres humanos com traje social e sobretudo azul empunhando armas estranhas, parecidas com armas de fogo. Minhas mãos tremiam.

- manus tollere, поднимите руки, あなたの手を上げる, raise your hands... Levante suas mãos garoto, somos a Polícia da SLC. Você me compreende? - dizia um homem caminhando com um auto-falante em minha direção. Era alto loiro e um manto azul, parecendo um sobretudo, cobria seu pescoço até os pés. Uma aura azul e amarela se desprendia do seu corpo, produzindo uma sensação de bem estar.

Levantei minhas duas mãos para o alto segurando o chapéu sobre minha cabeça. E.... simplesmente soltei... caiu sobre minha cabeça, encaixou-se perfeitamente.

- Homens, não há o que fazer! ABRAM FOGO.- Disse a figura com o auto-falante.

Levantei minhas mãos na altura dos meus olhos e observava uma transformação, enquanto projéteis passavam pelo meu corpo a uma velocidade incrível. Raios laser azuis que pareciam coisa de filme de ficção transpassavam o meu corpo.

Enquanto meu corpo mudava, os meus trajes precários se transformavam e um roupa social escura igual a do homem de chapéu. Minha calça vagabunda tomava forma de um tecido escuro de ótima aparência, meus tênis all-star agora eram sapatos socias. Muita fumaça saia de meu corpo.

Os tiros cessaram e todas as naves e os homens da polícia partiam em retirada. Mas, na minha mente eu escutava o homem de chapéu:

- O amor é uma artimanha finamente orquestrada pela sua natureza, com o único fim de perpetuar a espécie. Liberte-se, torne-se livre para caminhar num universo de infinitas possibilidades.

Então eu vi duas paredes colossais parecidas com folhas de papel, uma ao lado da outra em constante ondulação, quando uma das ondulações tocou uma na outra uma enorme quantidade de matéria bruta se deslocou e explodiu.

Eu via um dos pedaços incandescentes vagando no espaço. Eu estava nele... eu vi o homem de chapéu caminhar sobre o magma. Ele se agachou e pegou uma quantidade de fogo derretido com as mão , assoprou e disse:

- QUE SE FORME A VIDA!- e o magma pulsava sozinho.

Depois eu vi o homem de chapéu caminhando ao lado do que parecia ser um macaco meio humano. Ele pegou um pouco de carne podre e devorou com as mãos nuas e peludas. O homem de chapéu lhe deu duas pedras e fez um movimento de chocar uma com a outra.
Então o homem-macaco fez o mesmo...uma linda faisca se desprendeu e caiu na mata seca, iniciando-se um fogaréu. O homem macaco pulava de alegria e corria em volta do fogo.

Depois eu vi o homem de chapéu ao lado de um homem alto e belo. Lhe dizendo: há um mundo no qual você não pode tocar. E este homem pensou e teve uma ideia sobre isso.

Depois eu vi o homem de chapéu caminhando ao lado de um povo no deserto e lhes dizendo: Defenda essa terra com suas vidas, pois ela é sagrada. Eles, então, deram o nome de Yerushaláyim (Jerusalém).

Depois eu vi o homem de chapéu, ao lado de um homem pendurado numa cruz. Este homem lhe dizia: pai, porque tu, hó, grandioso, me abandonastes? Mas o homem de chapéu lhe dera as costas.

Depois eu vi o homem de chapéu em um grande templo onde um padre louro de olhos azuis vestido com uma batina preta rezava ajoelhado diante do homem da cruz. Em seus pensamentos ele perguntava porque Deus não lhe enviara o sinal. Então o homem de chapéu apareceu e lhe sussurrou nos ouvidos: você pertence a uma raça superior.

E o homem louro lutou por isso.

Eu vi todos as culturas se chocando umas contra as outras, a imagem de todas as guerras passavam como um filme. Mas agora eu via pelo avesso, eram um conjunto de forças se chocando e gerando explosões contínuas.

Voltei a mim, eu estava no parque, vestido a lá homem de chapéu. Caminhei sobre a grama como um deus. Me sentia poderoso...sentia que tinha uma força destruidora insuperável. Enquanto andava meu sobretudo negro roçava na grama, e eu olhava ao redor, como um imperador.

- Faça, você deve fazer- uma voz falava em minha mente.

Estiquei meus dois braços, e fiz menção de rasgar uma folha de papel. Minhas mãos brilhavam e eu "rasguei" a realidade e um buraco negro se formou. Eu via todas as realidades possíveis em grau microscópico.
Então eu perguntei: O que é SLC?

SLC são as siglas de Suprema Legislação Cultural- respondeu o homem de chapéu.
Em uma realidade desconhecida, cinco legisladores supremos decidiram criar a ordem do universo, com uma legislação tão perfeita capaz de persuadir todas as raças inimagináveis.
Para aplicar a SLC, os cinco legisladores criaram células de influência, e os lançaram em todos os mundos conhecidos.

Eu via uma grande estrada que acabava em um precipício: vi centenas de homens de chapéu caminhando sobre ela, e se atirando no vácuo, em queda livre. O lado dessa estrada existia um grande colina, e no topo eu vi o que seria uma figura humana com um traje branco e apontando com uma das mãos em direção ao infinito.

Esse é um dos legisladores - disse o homem de chapéu, abrindo um enorme sorriso.





19.8.11

Verdades difíceis.

Pensei que nunca mais ia vê-lo, homem de chapéu.

Eu estava sentado no banco de um parque e na minha frente - a uns 10 metros- encontrava-se um grande lago, ao lado do banco uma arandela que piscava sem parar. Ficava sentado ali esperando as respostas na minha mente quando o homem de chapéu veio caminhando em minha direção, pelo lado oposto ao da lâmpada; enquanto ela piscava via a imagem do homem de chapéu aparecer e desaparecer, até que ele chegou perto o suficiente.

Homem de chapéu, porque eu estou lhe vendo novamente, por que? Pensei que tivesse encontrado uma forma de eliminá-lo. Pensei que podia alterar o meu destino.

O homem de chapéu me deu as costas, levantou o braço esquerdo e retirou o chapéu com uma das mãos. Seus longos cabelos negros caiam sobre o paletó em seus ombros. Ele inclinou a cabeça para baixo e fez menção de estar acendendo um cigarro... eu vi a fumaça. Voltou a ficar de frente para mim, me olhou nos olhos - me sentia com frio agora-. Seu olhos e cabelos eram negros como a noite, como o nada - nihil-.

-Garoto, o que você faz ou deixa de fazer apenas altera em maior ou menor tempo a concretização do que já está previsto- Disse aquela figura monstruosa.

-Não pode ser, então nada que eu faça vai alterar o meu destino? Não pode ser...e se eu te matar agora homem de chapéu, isso tudo vai terminar, tenho certeza, vou matá-lo agora homem de chapéu.

Me levantei do banco apontando uma arma automática 9mm que puxei da cintura na velocidade de um raio. Estava frente a frente com o homem de chapéu. O laser estava trêmulo por causa de minhas mãos vacilantes. Porém estava centrado no meio de sua testa- o homem de chapéu sorriu.

-Garoto, a morte é um privilégio dos seres inferiores, incapazes de conviver com si mesmos por tempo maior que um testudines sobrevive nesse mundo.

Atirei antes de entender o que ele havia dito. Vi uma luz verde e a bala ficou lenta, via ela percorrendo o caminho e cortando o ar lentamente enquanto o homem de chapéu caminhava sem hesitar, em direção a ela. Atravessou-lhe a testa que parecia ser feita de fumaça, todo ele parecia ser fumaça.

-Viu agora garoto? -disse o homem
Me inclinei andando para trás e apontei a arma para minha própria cabeça. E se eu me matar agora, maldito, o quê vai acontecer em?

-Nada acontecerá e você retornará a este local a este instante e teremos essa mesma conversa; terá a chance de tomar outra decisão. Apenas isso.

-Não pode ser, o que é este mundo? É um pesadelo. Tudo que eu fizer, não importa o quê: eu não tenho escolha!

-A escolha é apenas um processo fisiológico de desenvolvimento contínuo da consciência. Nenhuma animal a possui exceto o homem, porém isso não faz dele melhor ou pior, sua consciência é um órgão em desenvolvimento; a escolha é apenas algo inventado por ela, para desenvolver-se como um organismo qualquer.

O choque foi tremendo, por um momento a minha consciência tomou "consciência" das mentiras perpetradas por ela mesmo, dos erros e confusões geradas por ela própria. Mas é como se eu não pudesse compreender, a consciência é incapaz de olhar para dentro dela mesma.

-Então veja garoto, se eu disser mais alguma coisa, tornarei a sua existência extremamente dolorosa. Serei compassivo com você, parodiando o mestre da sua época- o homem de chapéu sorria-.

-Por queeeeeeee? Por queeeeeeeee? - enquanto gritava eu caia ajoelhado na grama e a arrancava da terra.

-Veja como o ser humano é patético: isso é tudo que pode fazer? - disse ironicamente.

-Cansei de suas colocações estúpidas homem de chapéu.
Levantei-me do chão e corri em direção a ele , desferi um soco em seu peito, porém meu braço atravessou-o como numa nuvem de fumaça.

-O material de que você é feito demonstra o péssimo gosto que a sua "natureza" possui. Imagem e semelhança do criador? ha-ha-ha, como são ingênuos.
Imagine que você assista um filme, cujo final ja é sabido... imagine que apesar de todos os esforços dos personagens você ja saiba que ele vai vencer ou perder, não importa o que aconteça o final será o mesmo.
Sua vida é assim, e não só a sua... mas a de todos neste mundo. Um dia todos terão acesso a essa informação e suas consciências sofrerão. Eu tenho acesso a todas as verdades que o homem pode suportar, porém existem coisas que nem eu sei ha-ha-ha, mas acredite garoto, você não quer saber o que eu sei.
Em uma época distante o homem me adorou, criou templos negros em meu nome, fizeram cultos, sacrifícios e me chamavam de "time walker". Quisera ser como eu.

- Certo homem de chapéu- dizia eu deitado na grama olhando para cima. O que eu devo fazer? Homem de chapéu?
Ele se fora, e um chapéu negro lentamente vinha do céu em minha direção. Levantei o braço e peguei.


7.8.11

La solitude éternelle

O feixe de luz verde do homem de chapéu cortava a realidade em duas metades, em dois mundos; e eu me via vivendo nestes mundos.

De diferentes formas eu vivia, porém era sempre o mesmo.

Se o meu destino fora traçado, nada eu podia fazer a não ser aceitar.

Enquanto eu pensava, via seus olhos encherem de lágrimas; o vento jogava seus longos cabelos louros contra o rosto e sua figura lentamente sumia diante de mim. Não mais podia alcança-la, nem mesmo em pesamento... era o fim.

Qual é o seu destino, garoto? Perguntava o homem do chapéu, enquanto sua face lentamente se moldava em um belo sorriso irónico e sagas.

Não há outro se não a eterna solidão! Meu amigo de infortúnio, e carrasco. Leve-me para além do horizonte, onde não se cré em nenhuma verdade, e onde não mais se espera pelo amor.

5.4.11

Dois mundos se enfrentam. (O Boxeador)

Terry partiu para cima do Campeão- o mundo parecia em câmera lenta-. Eu vou vencer, pensava Terry, enquanto cerrava o seu punho quase até sangrar na altura do seu queixo...o ar cortava os seus cabelos enquanto corria em disparada em direção ao Campeão. Ele estava cada vez mais perto.

O Campeão mantinha a calma e sua guarda estava abaixada. Ele estranhamente tinha seus olhos cerrados e voltados para o chão, porém seu sorriso estava cada vês mais brilhante- ele aguardava a chegada de Terry-.

Terry agora a poucos metros do vencedor solta o punho como uma flecha que caminha reta em direção ao alvo, cortando o ar e criando um vácuo atrás de si- assim parecia o soco de Terry-. A poucos centímetros da face do Campeão, ele simplesmente faz um suave movimento com o braço esquerdo e desvia o soco de Terry que passa rente à orelha do Campeão... Com o punho esquerdo o campeão desfere um "uppercut" - soco que vem de baixo para cima na altura do tronco- que acerta em cheio o fígado de Terry que se curva de dor no ar.

Terry não desiste, se recompondo: eles estão cara a cara: Terry desfere "jabs" na face do Campeão que se desvia de um deles e responde com um cruzado que atinge o lado esquerdo da face de Terry e o faz cambalear.... Imediatamente vem outro cruzado, no qual Terry faz uma esquiva de cruzado e retorna cara a cara; e com todo a força desfere um upper que atinge o abdômen do campeão que sente o tranco.

O campeão fecha a guarda e caminha determinado desferindo "jabs" e "diretos" na defesa de Terry que parecia uma tartaruga curvada e caminhando para trás em direção às cordas.

BOOM, BOOM, BOOM.... Esse era o som dos socos do Campeão na defesa de Terry- a torcida estava em um frenesi, batendo os pés no chão fazendo com que o estádio tremesse-. BOOM, BOOM, BOOM.. Parecia que haviam colocado microfones nas luvas dos lutadores. Até mesmo os espectadores de suas casas em suas TVs escutavam o som que pareciam dois astros se chocando na atmosfera da terra.

Terry foi jogado nas cordas e o Campeão continuava a castiga-lo.. Dois socos na cabeça, e um no tronco, a sequencia se repetia. Terry se defendia precariamente.

Enquanto se defendia... Terry acuado, lembrava-se do colegial, quando os garotos maiores tentaram lhe agredir. Ele resistia como uma rocha, nunca derramava uma gota de lágrima...isso fez com que os garotos tivessem medo dele.

Seu corpo todo se arrepiou, e Terry num impulso involuntário, empurrou o Campeão com os dois punhos, que fez a sua "chuva" de socos cessar... o Campeão se desequilibrou pendendo cair para trás. Mas Terry o segurou pelo ombro com o braço esquerdo... enquanto o Campeão se esforçava para entender o que estava acontecendo, Terry desferiu um direto na face do Campeão que se equilibrou com a perna esquerda, mas agora fechou a guarda.

A situação agora se inverteu... Terry desferia uma "chuva" de socos no Campeão, mas parecia não adiantar. Então Terry mudou sua estratégia, fazendo varias esquivas de cruzado e desferindo golpes aleatório, completamente imprevisíveis -eles estavam no centro do ringue, trocando golpes, sem parar-

O suor que espirrava a cada soco brilhava na luz, o espetáculo era único e aterrador. O gongo soou.

Os dois pararam de se agredir e por dois segundos se encararam face a face sem mostrar reação; deram as costas um para o outro.. em direção ao seus respectivos "corners".

Terry sentou no banco e Lebowski colocou o balde entre suas pernas e lhe espirrou agua no rosto com uma garrafa de plástico.

Josh era um boxeador ainda jovem, que participava da equipe de Lebowski... seu ídolo era Terry. Quando começou a lutar havia se inspirado no grandioso Terry... Toda vez que fechava os olhos, via as costas de Terry caminhando em direção ao adversário, sem um pingo de hesitação.

Josh enxugava o suor de Terry... mas agora era estranho, ver Terry em apuros e com a face sangrando. Deus não deveria sangrar.

Terry se levantou e disse: eu vou vencer! O gongo soara novamente e Terry caminhava em direção ao Campeão... Josh novamente olhava as suas costas: sua espinha se arrepiou...aquilo era mesmo real?

O campeão estava agressivo desferindo vários "jabs" e emendando diretos quando a oportunidade lhe aparecia... enquanto isso, Terry se esquivava com sua guarda levantada e desferia socos aleatoriamente, sem um padrão... tentando confundir o Campeão.

Parecia ser inútil, pois quanto mais Terry batia, mais o Campeão crescia na luta. O gongo soou... os dois lutadores foram para seus respectivos corners.

O campeão sentou no banco colocado pela sua equipe e disse que jamais havia enfrentado alguem com tamanha força de vontade. Mas que irremediavelmente iria vencer.

O gongo soava, Round após Round: BOOM, BOOM, BOOM... o som estremecia todo o estádio. Era o som dos socos do campeão estourando, nas agora precárias defesas de Terry. Round após Round e o corpo de Terry ficava cansado, mas não o seu espírito.

Já havia perdido a conta de quantos Round haviam se passado... Terry estava sentado no seu corner com o rosto todo estourado e supercilio aberto - o campeão sofrera menos-. O médico olhou Terry nos olhos... mostrou três dedos e perguntou quantos dedos ele enxergava. Terry sorria precariamente. Estava enxergando 6, 9 dedos. Nada dissera.

Josh olhava a cena precária de seu ídolo. Quase destruído, quando derrepente escutou em sua mente: "Quantos dedos ele está mostrando? ; Rápido... eu não tenho muito tempo, me diga quantos dedos, rapaz...

Josh, estupefato e com medo andou em direção a Terry, parecia não escutar nada, os gritos da plateia cessaram, o som de todo estádio cessou e ele só escutava Terry chamando em sua mente.

Josh estava atrás do corner, e discretamente encostou três dedos nas costas de Terry.

Estou vendo três dedos disse Terry - Josh se afastou com medo-. O médico deixou o ringue e a luta recomeçou.

Terry caminhava precariamente em direção ao campeão, mas sem hesitar - Josh novamente enxergava as suas costas-.

Por que diabos ele não desiste? -Pensava Josh e o Campeão-

Este homem... eu vou matá-lo, deixe que ele venha. O campeão andou cautelosamente com a guarda levantada, em direção a Terry que mal o enxergava... e começou a desferir socos contra sua face. Terry não caia- porque ele não cai, porqueeeeeeee!!!- pensava o campeão.

Terry reagia desferindo socos ao mesmo tempo em que era castigado... seus socos não eram tão fortes.

Foi quando o Campeão afastou-se e com todas as forças agora direcionava o direto que iria por fim a Terry, que jaz parado com as guardas arriada. Mas, pelo meio do caminho o juiz abraça o Campeão, e finaliza a luta.

O quê aconteceu? Diabos, porque? - Esbravejava o campeão: eu vou vencer! Porque parou a luta?

O Juiz disse: Você venceu, olhe para ele:- Terry estava de pé, mas seus olhos estavam brancos, ele estava inconsciente. Não demostrava nenhuma reação.

Quando o gongo soou por três vezes definindo o fim da luta... o corpo de Terry caiu ajoelhado no chão... ficou assim por alguns segundos e finalmente seu rosto caiu na lona. Mas Terry ainda estava de pé!! Sua guarda estava levantada... Terry não entendia porque estava vendo seu corpo no chão!! Agora tudo ficou escuro.

Anna correu em prantos até Terry, entrou no meio da equipe médica e o abraçou. Anna estava gravida, mas ele não sabia.

O Campeão novamente levantou o seu cinturão. E saiu do ringue aplaudido... quando prestes a deixar a área central do estádio olhou para trás: desejou ter outra luta com Terry, mas sabia que não seria possível.

O que aconteceu com Terry? CONTINUA



4.4.11

O Boxeador.

Terry era um garoto introvertido que cursava o 1º colegial. Nunca teve muitos amigos e andava quase sempre isolado nos grandes pátios da escola que frequentava. Ele parecia um animal acuado, fato este que fazia com que outros alunos tentassem aproveitar-se dele. Porém, a diferença de Terry para os outros alunos tímidos era que Terry possuia uma inquebrantável força de vontade...sempre que era intimidado a participar de uma briga, ele vencia. Ou quase sempre... quando perdia não se contentava com a derrota.

A vida para esse garoto parecia significar que algo tivesse que se provado: tanto para si, como para os demais. Terry era forte, muito forte.

No 2º colegial, Terry tomou um caminho estranho em sua vida, entrou para um gangue e passou a vagabundear pelas ruas da União... foi preso, apanhou e quase foi baleado. A sorte dele foi que perto da sarjeta, Terry conheceu um velho treinador de Boxe, chamado Lebowski.

Lebowski viu Terry brigar, mas ele não viu apenas uma briga... viu um grande potencial naquele garoto: uma força de vontade capaz de mover uma rocha, os olhos de Terry brilhavam por algum motivo. Lebowski precisava descobrir.

Então Terry começou a treinar e a ficar mais forte, cada dia mais forte... Terry era alto, pele morena como se estivesse bronzeado, seus cabelos eram pontiagudos como um ouriço do mar. Seu semblante era sempre sereno e quase nunca demonstrava alguma emoção. Seus olhos castanhos claros brilhavam ao ver um adversário no ringue.

Em momento bastante propício para Terry, o 2 º colegial resolveu apoia o boxe como esporte oficial, baseando-se em estatísticas duvidosas de que era possível controlar a violência desmedida entre os adolescentes da União, através dos esportes com violência controlada.

Terry não se importava com os motivos, apenas queria lutar: então ele se matriculou e paulatinamente colocou no chão todos os adversários que se opuseram a ele. Um após o outro os caras caiam e beijavam a lona. Terry era forte, muito forte.

A última luta foi contra o campeão juvenil...um evento grande foi organizado pelo 2º colegial. Chamaram até as garotas do time de futebol pra animar a luta de boxe- Terry venceu o evento-.

Foi aí que Terry conheceu Anna, ela era uma garota adorável e simpática... gostava de conversar. Terry era caladão mas a força do seu olhar e sua determinação fez com que Anna se aproximasse dele.

Na primeira vez que eles se viram foi após a luta... Anna entregou o troféu a Terry e lhe deu um beijo no roso. Logo depois ela o procurou no vestiário para dizer algumas coisas inúteis... coisas de garota. Então Terry disse para Anna que ela parecia uma garota medrosa, mas que por alguma razão gostava dela...e os seus olhos penetraram sua mente.

Anna era branquinha e gostava de usar uma presilha rosa nos longos cabelos louros.

Anos depois Terry e Anna se casaram... Mas, por alguma razão Anna não estava satisfeita, pois sentia que o amor de Terry não a alcançava por inteiro, ele as vezes era distante, como se estivesse dentro do seu mundo... Isso incomodava Anna, mas o seu amor era maior.

Terry continuou a lutar... ficou mais forte, uma maquina de vencer. Terry nos seus 25 anos agora tinha uma fisiologia quase perfeita. Ganhou vários títulos antes de chegar nos pesos pesados. Ele queria ser o homem mais forte do mundo. Anna estava com muito medo.

Terry teve uma proposta: Lebowski não tinha mais adversários para ele. Então conseguiu uma luta pelo titulo mundial...Não importa se ele vencesse ou perdesse, a luta pelo titulo ia dar muito dinheiro a Terry e Lebowski.

O campeão, uma mistura de dinamarquês com mongol, era páreo duro para Terry. Mas os seus olhos brilhavam, ele queria lutar pelo título mundial. Anna estava com muito medo.

Ela não conseguiu impedir Terry que foi ao ringue...

Dentro do vestiário Lebowski dava as ultimas instruções: "Você vai vencer Terry, não importa o que aconteça, esse é o momento de você descobrir o que é ser forte... ninguém vai fazer isso por você, não importa o preço. A resposta a essa sua pergunta vele uma vida...Você vai vencer Terry".

Terry estava sentado no banco dentro do vestiário com a toalha jogada em volta do pescoço olhando para suas próprias mão como se estivesse em transe-Lebowski não parava de falar, e sua voz ia ficando cada vez mais suave e longe-, quase não ouvia mais Lebowski.

Um funcionário agora pegava suas mãos e amarrava a bandagem. Terry se levantou e desferiu sete socos no ar, tão rápido que parecia um. Empurrou a porta do vestiário e toda equipe o seguia, inclusive Lebowski, que corria feito louco tentando tirar a toalha das costas de Terry e colocar o roupão.

Quando Terry chegou no inicio da redoma do estádio a torcida levantou e gritou, loucamente... o chão estremeceu. Terry retirou o capuz e centenas de flash castigavam os seus olhos... Terry via uma longa estrada até o ringue, uma estrada chuvosa e uma ventania desenfreada, muito granizo.. ele precisava superar, ele precisava tornar-se mais forte.

Ele caminhou até o ringue com Lebowski ao seu lado... seu fiel treinador. As palavras ecoavam em sua mente: você vai vencer Terry, vai vencer, vai....

De pé no ringue ele ergue o braço direito e a plateia vibre, mas Terry não mostrava expressão.

Do lado oposto chegava o campeão, cercado de lindas mulheres, que carregavam o seu cinturão de ouro maciço. Campeão, Campeão, Campeão gritava a plateia em um frenesi insano. Mas Terry se mantinha sereno como uma pedra.

O campeão subiu no ringue junto com duas mulheres e as ergueu cada uma em um braço... ele gostava de fazer o seu showzinho. Terry se mantinha firme.

Ao retirar o roupão todos viram a fisiologia espetacular do campeão... seu corpo parecia não ter qualquer nível de gordura acima de 2%, todos os músculos trabalhados metodicamente, e que no conjunto poderiam acabar com a vida de qualquer homem em poucos segundos.

Uma figura curiosa... pequenos traços orientais e cabelo louro o campeão era exótico.

O juiz chamou os dois cara a cara e falou algo sobre ter uma luta limpa e sem golpes baixo... O campeão sorria ironicamente e Terry se mantinha como uma rocha.

Eles se afastaram e cada um foi para o seu corner... No soar do gongo o tempo parou. Um relâmpago passou pelo cérebro de Terry ele partiu numa explosão muscular para cima do campeão como uma máquina a vapor.... Anna estava na plateia e fechou os olhos, tudo ficou escuro. CONTINUA>>>>>>

20.3.11

"E dali em diante, ninguem mais se disse cristão".

Muito bom dia, meu nome é Gregorio.... tenho 80 anos de idade e venho relatar o evento mais maravilhoso de toda a minha existência.

Quando eu ainda era criança, morava em um afastado vilarejo do interior, quase onde o mundo não era mais mundo. Minha comunidade sempre foi bastante religiosa; lembro-me que todos os domingos às 07h a rotina se repetia: todos saiam de suas casas ao escutar os sinos da igreja, quase que em fila indiana, eles entravam como um rebanho e buscavam seus assentos determinados.

Eu me fazia sempre presente, obrigado pela minha adorada e religiosa mãe a escutar todo aquele sermão em latim. Eles nem sequer entendiam, mas não importava... precisavam comer a hóstia e beber do que eles chamavam: sangue do criador.

Por décadas o ritual se repetia... apesar do meu ceticismo, aquilo também era minha vida. Mesmo após a morte da minha querida mãe na qual eu sofri bastante. Continuei, todos os domingos da minha vida a frequentar a "missa".

Mas aos 75 anos de idade, todas as forças que me restavam me levavam até minha cadeira de balanço, onde eu acendia meu cachimbo, e dali, eu enxergava a minha adorada igrejinha... Todos os domingos eu me sentava na minha cadeira de balanço e observava as pessoas metodicamente caminhando em direção à capela.

No entanto, algo de extraordinário aconteceu. Em um dia de domingo algo quebrou a rotina do ritual...

O sino tocou às 07h da manhã, todos os habitantes da cidade levantaram de suas camas, tomaram seu café da manhã , como de costume, e todos, na mesma ordem, caminharam em direção ao mesmo lugar.

Após a entrada de todos eles na igreja as portas se fechavam, e eu calmamente levava o cachimbo até minha boca e o acendia... esperava alguns segundos e dava uma tragada, me balançando com os pés: para frente e para trás.

Quando concentrei minha atenção novamente para o que ocorria no meu horizonte, eu vi uma figura estranha. Era uma homem alto, branco, de longos cabelos negros que pendiam até o seu ombro, metodicamente cortados de um jeito uniforme, vestia um terno negro como a escuridão e um sapato que de tão brilhante ofuscava a minha visão... também vestia um chapéu social...

Enquanto ele caminhava calmamente até a entrada da igreja, acendia um cigarro e sorria sozinho. Subiu os degraus! Empurrou as portas duplas com as mãos... Ao entrar na igreja, ninguém desviou o olhar do padre, que rezava des costas e em latim.

Então o homem de chapéu caminhou lentamente pelo centro, fumaça era liberada pelo seu corpo - havia um corredor de fiéis na sua direita e na sua esquerda-. Ao perceber a aproximação o padre se virou e ficara, agora , de frente para o homem de chapéu.

Ele não alterava a velocidade de sua marcha, mas agora, levava sua mão direita até um compartimento secreto dentro do bolso interno do seu paletó... de lá sacou um revolver e sem alterar a sua marcha o apontava para a testa do homem santo que estava na sua mira.

"Não temo pois o senhor é meu guia e nada de mal me acontecerá". Ele dizia

O homem de chapéu efetuou um disparo e o progetíl atravessou o peito daquele homem santo, que caiu por cima da mesa santa e espalhou sangue do criador por todo o chão. Fragmentos do rosário também se espalharam em volta do homem santo.

O homem de chapéu mantinha sua marcha enquanto o resto dos fiéis corriam desesperadamente para fora do templo: gritando e praguejando palavras demoníacas. Ele caminhou em direção ao corpo do padre estendido até o chão e agachou para escutar seu último suspiro.

O padre levantou a mão embanhada em sangue, o homem de chapéu agarrou-a e escutou o que ele tinha a dizer: - Tenho medo de morrer agora, pois eu pequei senhor... eu vou para o inferno?

O homem de chapéu cuspiu fumaça e ela alcançou a estátua do criador. Então ele disse: Não deve se preocupar, pois não existe nenhum céu ou inferno.
- Agora eu entendo- disse o padre.

Assassino de DEUS, assim agora era como conheciam o homem de chapéu. Não havia mais nada no que acreditar... Naquele momento, esse era o desejo do homem de chapéu.

"E dali em diante, ninguém mais se disse cristão".