11.2.09

O que é justiça?

Certa feita um professor no inicio do período indagou a mim e a outros da minha sala: o que você entende por justiça?
Em meio a tantas respostas divergentes, finalmente me foi dado a palavra e eu disse: Não sei se existe um conceito universal de justiça. O que eu sei é que não é naturalmente dado a nenhum homem fraco o direito de dizer o que é justo. Somente o forte é capaz de dizer o que é justo.
Diante da perplexidade e silêncio que minha resposta causou, fui obrigado a tecer algumas explicações: O velho jargão do direito, "dar a cada um o que lhe é de direito" ,pressupõe que alguem diga o que cabe a cada um, o que é justo, e isso a história nos mostra que foi feito sempre pelo lado mais forte.
A justiça é o triunfo da vontade do mais forte. Por que boa parte das teorias nazistas são consideradas injustas? Porque fracassaram diante de idéias impositivamente mais fortes. Por que é justo proteger o proletário diante da arbitrariedade do mercado de trabalho? Pois, em algum momento eles tomaram esse direito pela força.

A justiça longe de ser um conceito é uma ação, uma preponderância de forças que subjugam outras forças e assim triunfa gloriosa pela mão do mais forte!

14.1.09

O espírito aristocrático.

Abstendo-me de considerar a aristocracia coma forma de governo ou como qualquer outra denominação superficial; não há como considera-la se não como um estado de espírito e de uma alma elevada.

O espírito aristocrático, peculiar, uma excepcionalidade que consiste por exemplo: no pensamento reto, numa dureza consigo mesmo, numa vontade de batalha, etc. O aristocrático vê no seu adversário uma forma de se superar. Jamais hesita, pois é forte tanto mental quanto fisicamente, em suma, fisiologicamente perfeito. Sua felicidade consiste apenas no fato de já ter nascido feliz - isso veio de berço -. A procura da felicidade significa um desvio de caráter.

Caráter incorruptível, visto que sua moral encontra-se em patamares superiores. Tudo herdado de um mesmo tronco acostumado as intensas batalhas pela busca de poder e superioridade.

Que batalhas foram essas que não permitiram o domínio de inúmeros homens que se submeteram ao seu poder - escravos-. Uma quase voluntariedade na escravidão, pois quando um homem é incapaz de superar um outro, deve servi-lo e aprender com ele.

A escravidão não era a redução da dignidade de cada homem, mas sim uma oportunidade de se aprender com os melhores, com o espírito aristocrático: uma cultura superior?

Impérios, feudos e cidades forma formadas sob o domínio de homens fortes e irrepreensíveis, nobres em todos os sentidos. Mas como tudo tem um início meio e fim, a corrupção de outras morais, mais fracas, porém ousadas e persistentes acabou por corromper o mais duro dos homens ou reduzi-los a igualdade.

Muito de semita, muito de plebeu e ressentimento tiveram de ser enfrentados pelos nobres, todavia aqueles estavam e sempre estão em maior número.

Jamais o aristocrático sentiu necessidade de justificar suas ações perante o mundo, pois diante dele próprio já estava justificado. "Uma suprema justificação": no fundo de seu coração sentia-se como correto.

Quando o plebeu -- o supérfluo; o vulgar-- tornou-se senhor, tal não pode aguentar o peso do comando, de ditar ordem de ser duro, acima de tudo, consigo mesmo.

Teve de chamar outros, teve de diluir a vontade de um ser supremo na vontade de muitos. Todos agora eram responsáveis, porque todos tinham o direito de opinar e de fazer justiça? Isso apenas escondeu uma incapacidade para comandar e ser enérgico.

Cada homem aristocrático que vive encontra hoje uma resistência plebéia quase impossível de ser vencida. Todavia é preciso um refinamento do gosto, uma valorização dos atributos físicos, um incentivo ao labor intelectual e a luta contra a vulgaridade. A criação de um hábito tão saudável que impossível seria para um homem comum suportar.


A mistura das raças é um problema a parte que pode ser superado educando-se o instinto, pois o tronco aristocrático é dominante e sempre retornará.

Tudo que disse foi pensado mil vezes antes de ser dito: “escreve com teu sangue, pois sangue é espírito”. FN

Parágrafo 256 de Além do Bem e Mal, Friedrich Nietzsche, que passo a transcrever:

“Mesmo correndo o risco de desgostar ouvidos inocentes eu ouso afirmar: o egoísmo pertence à natureza da alma aristocrática, isto é, àquela fé inabalável segundo a qual a um ser como ‘nós somos’, outros seres têm por natureza de sujeitar-se e sacrificar-se-lhes.

A alma aristocrática aceita essa evidência do seu egoísmo sem qualquer ponto de interrogação e mesmo sem a sensação de dureza, coação, arbitrariedade, antes pelo contrário, algo que possa estar fundamentado na lei primordial das coisas. Caso se procurasse um nome para essa coisa, diria que ‘ é a própria justiça’. Diante de circunstâncias que de inicio a fazem hesitar, concede que há pessoas com os mesmos direitos que ela. Logo que seja esclarecida esta questão de hierarquia, ela move-se entre estes iguais e com direitos iguais, com a mesma segurança no pudor e no respeito delicado que tem no trato consigo mesma, de acordo com uma mecânica celestial inata que todas as estrelas entendem. Isso denota mais uma parcela do seu egoísmo, esta sutileza e auto-restrição no convívio com os seus iguais. Cada estrela é um desses egoístas. Honra-se a si mesma neles e nos direitos que lhes concede, não duvida de que a troca de honras e direitos como essência de todo convívio, faz igualmente parte do estado natural das coisas.

A alma aristocrática dá assim como tira, pelo instinto passional e sensível de retribuição que reside no âmago dela. Aí o conceito de ‘graça’, não tem, inter partes, sentido nem aroma. Pode haver uma maneira sublime de deixar cair sobre si os dons vindos de cima, por assim dizer, e de bebê-los sequiosamente como gotas. Todavia, a alma aristocrática não tem jeito para esta arte e gesto. Seu egoísmo impede-a. Detesta olhar ‘para cima’. Sente-se importante olhando para a sua frente, horizontal e lentamente, ou para baixo. Ela só se admite no alto.”