28.8.08

Wolfgang Trickster: história de um promotor.

Nasceu numa pequena cidadezinha na Alemanha, chamada Rocken. Seu pai era um grande empresário no ramo da informática, trabalhava em uma multi-nacional, na qual possuía filiais por todo o mundo. Já sua adorável mãe, dona de casa, era uma pessoa muito amável e atenciosa, parecia daquelas mães que saíra de um conto de fadas.


Aos 7 anos de idade, Trickster saiu da Alemanha rumo à um novo país. Seu pai havia recebido uma proposta bastante generosa de emprego. Ele achava que era uma oportunidade única de dar uma vida mais luxuosa para seu filho e sua mulher, seguindo a tradição dos Trickster.


Pois bem, chegando no tal país, o primeiro choque foi o calor...era tropical, nada parecido com a Alemanha. Trickster ficou maravilhado - ele no fundo era um bom garoto, não reclamava, fazia tudo que seu pai mandava, queria ser igualzinho a ele, sem por nem tirar nada.


Narrador: "Na verdade, a mãe de Trickster incentivava o filho a seguir os passos do pai. Era evidente o seu papel na formação do filho".


Eles tinham acabado de sair do avião, pegaram um taxi e seguiram rumo à nova casa. Pelo caminho, o garoto admirava às pessoas. Todas pareciam felizes e despreocupadas: eles vendiam coisas pela rua, sinalizavam para o ônibus; o homem da moto berrava com o motorista do carro - Trickster achava engraçado -.


Finalmente o taxi chegou ao seu destino, uma enorme casa esperava os Trickster. A mamãe já dizia com um sorriso no rosto: - “acho que hoje vou ter muito trabalho com a mudança”. Trickster esperou o pai abrir o portão e correu para dentro do quintal, onde haviam inúmeros brinquedos.


O pai de Trickster era um homem de negócios, precisava dar um jeito de mostrar a casa para a família e rapidamente ir para o trabalho. E assim o fez!


Meses se passavam e Trickster freqüentava a escola, sua mãe laborava em casa e seu pai se dava bem nos negócios. Não era ele um pai ausente, pois sempre reservava um tempinho para brincar com o filho no quintal. Bastava alguns minutos e Trickster já se sentia satisfeito, dizendo: pai, o senhor pode voltar ao trabalho , se quiser. Em verdade, a família Trickster não poderia ser mais feliz, com a condição financeira que possuíam e o afeto recíproco, era impossível que algo poderia abalar sua estrutura.


Todavia, naquela manhã de sábado, algo aconteceu: como de costume, Trickster e o seu pai brincavam de baseball no quintal - Trickster gostava de rebater a bola com força e coragem, até que ela voando caia na casa do vizinho; ele gostava de ir à casa do vizinho buscara a bola somente para dizer que rebatia tão forte que ela sempre escapava ao seu alcance-. Trickster acabara de fazer 8 anos nessa época.


Ao retornar com a bola da casa do vizinho, viu uma cena chocante: policiais, sim sim sim, policiais estavam em frente a sua casa, muitos já dentro de sua casa. Algemaram o seu pai, o seu querido pai -- sua mãe estava em prantos--. Trickster correu como louco, e tentou esmurrar o policial que agora coagia seu pai para dentro da viatura.


O policial parou por um momento, direcionando seu olhar para o pobre garoto e disse: "preciso prender o seu pai garoto, ele fez uma coisa errada; quando a gente faz uma coisa errada, sabendo que ela é errada, a gente precisa pagar por isso. Se não nesse mundo, no mundo de Deus".


Trickster se afastou estupefato, não acreditando que seu pai seria capaz de fazer algo errado. Enquando era levado, seu pai pedia desculpas ao filho: "Wolfgang meu filho, não se preocupe com nada, cuide da sua mãe até o papai voltar".


Mas ele não voltou, tinha sido pego em flagrante, cometera estupro cominado com atentado violento ao pudor; tinha sido pego em flagrante, no calor das investigações. Os promotores daquele estado queriam sua cabeça. A reputação daquele homem tinha ido por água a baixo.

Trickster continuava vivendo sua vidinha de garoto: indo pra escola e ajudando sua mãe. Eles não precisavam trabalhar, pois tinham muitas economias. Se quisessem poderiam viver daquela forma para o resto de suas vidas. Trickster sabia que seu pai fizera algo de errado, não sabia o que era, sua mãe não dizia. Apenas dizia que não ia ver o pai por bastante tempo... às vezes ele flagrava a mãe chorando pelos cantos, sabia que o pai tinha feito algo errado.


Passou-se um ano; Trickster tinha 9 anos quando passeando pelo quintal da escola, um de seus coleguinhas lhe mostrou uma reportagem no jornal. Era o seu pai, ele iria a julgamento pelo tribunal do júri, a acusação queria condenação perpétua pela brutalidade do crime.


Trickster olhava sério para a reportagem, finalmente agora sabia o que seu pai havia feito. O garoto não esboçou reação alguma, apenas pegou o jornal e atirou na lata do lixo próxima a ele. Como se nada tivesse acontecido.


Chegando em casa, Trickster disse para a sua mãe que queria ir ao julgamento de seu pai. A reação dela foi imediatamente cair em prantos, dizendo que ele não poderia ir, e que seu pai era inocente... ela dizia que crianças não podiam ver julgamentos. Trickster não esboçava reação alguma.


Alguns dias se passaram e o julgamento estava próximo, e havia alguns murmúrios sobre isso na sua escola, mas nada que o assustava. Trickster queria ver o julgamento, sabia que passaria na TV.


Como sua mãe não deixou que ele fosse até o fórum, o garoto ficou em casa - aproveitou que sua mãe tomou vários calmantes nesse dia para dormir-- ligou a TV exatamente quando o sol estava à pino e pois-se a acompanhar o cessão do júri.


Viu o seu pai em meio a centenas de repórteres, que pareciam mais abutres sobre carne fresca, entrando no fórum. Filmaram lá dentro: agora o seu pai estava acompanhado do advogado de defesa. Passaram inúmeras entrevistas com os familiares da vitima, que narraram fatos horríveis. Trickster estava rígido, duro como uma pedra sentado no sofá.


Iniciou-se a cessão do júri, com o advogado de defesa defendendo o seu pai. Trickster olhava atentamente aquele homem, cada palavra, cada afirmativa... pensava, pensava, ouvia e ouvia... sua pequena cabeça estava envolta em elementos estranhos, elementos degradantes... passou-se uma hora, duas horas. Terminou, o advogado terminou sua sustentação, dizia o repórter.


Trickster ficou de pé e pensou em voz alta: MENTIROSO, ESSE HOMEM MENTE; COMO É COVARDE.


Sentou-se novamente, lágrimas escorriam de seu rosto: quando as câmeras se voltaram para o Promotor de Justiça. Era um homem alto, de cabelos negros, toga e terno negro, usava um chapéu, um grande chapéu social --Trickster arregalou os olhos --. O homem de chapéu estava na tribuna, no entanto, nada dizia. Escorregou sua mão direita até o bolso esquerdo de seu palito. De lá retirou um isqueiro e um maço de cigarros. Com um suave toque no fundo do maço, um cigarro foi ejetado até sua boca, e como que um malabarista, escorregou o isqueiro entre os dedos acendendo-o. Uma fumaça cinza tomava conta do tribunal e dos jurados.


Trickster sentia cheiro de fumaça, não sabia da onde, mas era um cheiro de fumaça misturada com mel, que o deixou inebriado. Mas, quando voltava a si o homem de chapéu olhava fixamente para a câmera, parecia que olhava para Trickster. Ele ficou assustado... falava em sua mente: SEU PAI É UM CRIMINOSO.


Trickster desmaiou... quando acordou, estava dentro da sala de aula em sua escola. Olhou para os lados como um cão confuso "????".


No intervalo, correu para casa imediatamente, mas quando lá chegara, deparou-se com sua mãe em prantos - como de costume - soluçando dizendo que seu pai havia sido condenado, CONDENADO.


Trickster abriu um sorriso enorme e disse: meu pai é um criminoso, ele precisa ser condenado. Ao ouvir as palavras do garoto, sua mãe pegou-o pelo braço e sacudiu-o: "nunca mais diga isso Wolfgang, seu pai é um homem bom".


Dez anos se passaram, Trickster havia se formado em Direito com louvou. Ele queria ser Promotor de Justiça. Ao longo de sua vida acadêmica, era tratado com respeito, pois era muito inteligente... fazia questão de memorizar cada instituto do Direito Penal, "tintin por tintin". Durante esse período, dedicou-se exclusivamente à estudar. Sua vida social praticamente não existia.


Foi durante esse período que desenvolveu uma mórbida teoria, precisou até mesmo fazer análise. Trickster achava que todo o ser humano era potencialmente um criminoso. Até mesmo seu pai, um bom homem, cometeu um crime. Ele também achava que um dia seu destino era ser julgado e condenado. Todavia, queria ser Promotor, achava que eles eram homens abençoados... que, enquanto no exercício de sua profissão, estavam imunes do crime!!! Mas que, um dia, todos os Promotores também seriam JULGADOS E CONDENADOS.


Apos mais seis anos de estudo Trickster passou por um exame nacional que selecionava Promotores de Justiça.... Além da prova os pré-promotores tinham de realizar campanhas para prevenção do crime. Ele passou com louvou.


Trickster agora é PROMOTOR DE JUSTIÇA.

Um comentário:

Caroline disse...

Gostei, mas vai ter continuação, né? Fiquei curiosa pra saber como termina a história, hehehe. Talvez um dia eu acompanhe de perto, quando ler Bruno agora é PROMOTOR DE JUSTIÇA.
bjocas moço, e sucesso!!!