25.12.07

O delinquente do futuro.

Certa vez ouvi uma conversa que pouco me agradou. O crime compensava: era a mensagem subliminar...fácil e quase uma obrigação do delegado de polícia:

--Doutor, o que é isso, o sr. vai me levar preso por causa dessa mixaria? Vamos fazer o seguinte: 50 mil agora e a gente finge que nada disso aconteceu. Isso não é nada, e ainda, sairemos lucrando.

O homem narrava essa história como se fosse o correto a fazer: "ninguém nunca vai saber" e "isso sempre acontece". Esse mesmo narrador se dizia discípulo de Jesus.

À tempos atrás, Jesus dizia para não fazermos ao próximo algo que reprovássemos em nós mesmo. Isso não é apenas um conselho, mas sim algo no qual a sociedade atual é baseada. Os exemplos são "clichês": Imagine que lhe furtassem um bem qualquer; agora imagine que o furto fosse legitimo em nossa sociedade. Seria um caos não é? Algo como a "guerra de todos contra todos", como já havia dito Nietzsche.

A sociedade teme algumas ações humanas e devido a isso cria todo um sistema para desqualifica-lá e inibir suas práticas. Pois não seria prudente que todos cometessem homicídio ao seu livre-arbítrio, nem o furto, etc. A cultura atual não consegue se sustentar nessas bases.

No entanto, existe uma rara exceção que no meu entender o crime torna-se legitimo. A minha lógica é a seguinte: toda ação na qual as possíveis conseqüências são aceitas pelo agente são legítimas. Por exemplo, se eu cometo um homicídio, ou um roubo, furto, etc. e aceito as "piores" conseqüência que isso me causaria, quer dizer que a cultura atual não exerce força sobre mim. Ou seja, a sociedade não exerce força para inibir essas ações em meu íntimo.

Quando o agente infrator está preparado para ser preso, ou para resistir, ou, na pior das hipóteses, suportar uma possível retaliação contra sua familia, tal indivíduo atua segundo suas próprias regras. Ele não se importa com o sistema no qual a sociedade atual está erguida.

Contra esses homens não há nada que se possa fazer, a não ser declarar GUERRA! Mas são esses homens que a princípio fundaram a sociedade. Ora, se os reis sucumbiram, os déspotas desapareceram e os monarcas foram eliminados... tudo ocorreu graças a criminosos dentro de tais ideologias.

Àqueles homens que resistem ao nosso tempo são o que eu chamo de princípio ordenador. Eles fazem com que tudo em volta deles se organize de forma diversa.

O que eu chamo de princípio ordenador é condição para que novos sistemas culturais apareçam em nosso mundo.