25.12.07

O delinquente do futuro.

Certa vez ouvi uma conversa que pouco me agradou. O crime compensava: era a mensagem subliminar...fácil e quase uma obrigação do delegado de polícia:

--Doutor, o que é isso, o sr. vai me levar preso por causa dessa mixaria? Vamos fazer o seguinte: 50 mil agora e a gente finge que nada disso aconteceu. Isso não é nada, e ainda, sairemos lucrando.

O homem narrava essa história como se fosse o correto a fazer: "ninguém nunca vai saber" e "isso sempre acontece". Esse mesmo narrador se dizia discípulo de Jesus.

À tempos atrás, Jesus dizia para não fazermos ao próximo algo que reprovássemos em nós mesmo. Isso não é apenas um conselho, mas sim algo no qual a sociedade atual é baseada. Os exemplos são "clichês": Imagine que lhe furtassem um bem qualquer; agora imagine que o furto fosse legitimo em nossa sociedade. Seria um caos não é? Algo como a "guerra de todos contra todos", como já havia dito Nietzsche.

A sociedade teme algumas ações humanas e devido a isso cria todo um sistema para desqualifica-lá e inibir suas práticas. Pois não seria prudente que todos cometessem homicídio ao seu livre-arbítrio, nem o furto, etc. A cultura atual não consegue se sustentar nessas bases.

No entanto, existe uma rara exceção que no meu entender o crime torna-se legitimo. A minha lógica é a seguinte: toda ação na qual as possíveis conseqüências são aceitas pelo agente são legítimas. Por exemplo, se eu cometo um homicídio, ou um roubo, furto, etc. e aceito as "piores" conseqüência que isso me causaria, quer dizer que a cultura atual não exerce força sobre mim. Ou seja, a sociedade não exerce força para inibir essas ações em meu íntimo.

Quando o agente infrator está preparado para ser preso, ou para resistir, ou, na pior das hipóteses, suportar uma possível retaliação contra sua familia, tal indivíduo atua segundo suas próprias regras. Ele não se importa com o sistema no qual a sociedade atual está erguida.

Contra esses homens não há nada que se possa fazer, a não ser declarar GUERRA! Mas são esses homens que a princípio fundaram a sociedade. Ora, se os reis sucumbiram, os déspotas desapareceram e os monarcas foram eliminados... tudo ocorreu graças a criminosos dentro de tais ideologias.

Àqueles homens que resistem ao nosso tempo são o que eu chamo de princípio ordenador. Eles fazem com que tudo em volta deles se organize de forma diversa.

O que eu chamo de princípio ordenador é condição para que novos sistemas culturais apareçam em nosso mundo.

22.11.07

O julgamento definitivo.

Aquela avenida larga parecia ter sido bastante movimentada no passado, como as largas avenidas de Nova Iorque ou Buenos Aires. Mas hoje eu só via destroços e prédios em ruínas em suas margens... até que algo me chamou bastante atenção: ao longe, era o homem de chapéu... ele vinha andando lentamente com o olhar perdido no horizonte, seu olhar se dirigiu para um prédio -- estranhamente eu não havia notado sua presença, até dirigir meu olhar para o homem de chapéu e perceber o referido prédio --.

Eu me encontrava em um banco paralelo à avenida. Dez metros a minha esquerda vinha andando o homem de chapéu, e a minha direita , não mais que uns 50 metros, estava o prédio. Possuía uma arquitetura moderna, era todo de vidro azul escuro. Uma escadaria levava o pedestre até a entrada do prédio que possuia uma grande porta que parecia ter um censor de movimento, semelhante aos shoppings. Mais acima haviam dizeres escritos em neon -que piscavam sem parar-: PRÉDIO DA UNIDADE JUDICIÁRIA.

Nesse momento o homem de chapéu acabou de passar por mim, desferindo àquele sorriso sarcástico característico. Como de costume, trajava um terno negro, sapatos negros e o chapéu social; detalhe para uma maleta preta que segurava com a mão direita. Certamente ia em direção do prédio da Unidade Judiciária.

Ao chegar a escadaria-- passando inevitavelmente por uma quantidade relativamente grande de destroços-- parou em frente a mesma, colocando a maleta preta no chão delicadamente. Olhou para cima esticando a mão direita em direção aos letreiros em neon e sorria. Logo após, retirou do bolso do paletó com a mesma mão um isqueiro juntamente com maço de cigarros, cuja embalagem continha o desenho de uma espécie de teia de aranha na cor verde. Com a mão esquerda fez uma espécie de malabarismo com os dedos que acendeu o isqueiro rapidamente; logo após, jogou o maço em direção a boca, de forma que apanhou com os lábios um único cigarro. O cigarro parecia um tocha medieval--eu não percebera mas já era noite-.

A figura de chapéu pegou a maleta no chão e rapidamente subiu as escadas. Chegando até a entrada as portas se abriram como mágica, expondo todo o térreo do prédio. Era estranho! haviam inúmeros "clichês" como aqueles em que se comprava ingresso para um filme no cinema. Eram muitos e estavam enfileirados um ao lado do outro à perder de vista. Logo em cima dos tais "clichês" a palavra PROTOCOLO passava por um painel digital.

Quando as atendentes avistaram o homem de chapéu se alvoroçavam e cochichavam umas com as outras: "é um advogado", "como é possivel que ainda exista um advogado?", "o que será que ele quer?, "parece mesmo ser um advogado", "espero que ele venha até a minha cabine". "Vem advogado", "advogado", "advogado": assim todas elas gritavam.

O homem de chapéu apanhou o cigarro entre os dedos, sorriu ironicamente, estufou o peito e caminhou em direção a cabine numero 6. Chegando até a cabine, levou a boca até a abertura circular do vidro e falou em voz baixa:
-Minha querida, gostaria de protocolar esta petição para qualquer juiz.--retirava da maleta duas folhas amarelas de papel que pareciam mais pergaminhos e entregava pela abertura do balcão.
-Tudo o que o senhor desejar, advogado! Nós temos muitos juízes aqui. Eles terão prazer em analisar o seu pedido... mas é claro, tendo em vista que a mais de 100 anos não há advogados em lugar algum-- disse a atendente.

O homem de chapéu olhou nos olhos da atendente, acendeu um cigarro, deu a primeira tragada e cuspiu a fumaça no vidro da cabina. A moça enclinava-se tentando ver o rosto do homem de chapéu mas só ouviu uma voz que disse: volto para buscar a minha sentença, minha querida hahahaha.

A moça que agora se podia ver melhor, era loira, alta longos cabelos lisos e olhos azuis, levantou-se da cadeira -trajava um vestido vermelho colado ao corpo realçando suas curvas e um chapéu pequenino, que mais parecia uma lata de sardinha em cima de sua cabeça. Com a petição em mãos a loira caminhou em direção a um tubo estranho que subia e perdia-se de vista. Ela destampou a entrada do tubo e colocou a petição de forma que ela foi succionada pelo que parecia um vácuo. Logo após a atendente voltou para sua cadeira e alí ficou.

A petição subiu por um tubo a uma velocidade incrível, parecia fazer uma viagem pelo céu e o inferno, quando caiu de qualquer forma na mão de um subordinado da Justiça que levou o pergaminho até uma sala cuja entrada tinha o seguinte nome: Núcleo de Juízes.

Excelências, essa petição acaba de chegar-disse o subordinado para os juízes que se encontravam sinistramente reunidos--
--Sim! De-me isso imediatamente-- falava o juiz mais velho com tom arrogante.

Apanhou o pergaminho abriu-o com o devido cuidado, suficiente apenas para não desmanchar aquelas folhas velhas... algum tempo depois o velho juiz bradava:
--Isso é um absurdo! Não vou julgar esta ação.
--De-me isso para que possa avaliar- falava o juiz que sentava ao seu lado,-- Isso é um disparate, como ousa peticionar dessa forma para um juiz.

Todos os juízes discutiam e passavam a petição do homem de chapéu uns para os outros para que pudessem analisar. Até que com certa demora, um juiz italiano que fazia parte da reunião de juízes fala: eu julgarei está ação!!!

Excelentíssimo (tratamento dado a indivíduos de categoria social superior), assim eles se intitulavam. Excelentíssimo Senhor Doutor Leonel Rossi. Juiz de Direito. tinha um histórico brilhante na resolução de conflitos, na ponderação inata da justiça. Famoso por resolver de imediato e com a concordância de ambas as partes, ganhou o respeito e a reverência daqueles que litigava e tinham a lide sobre seu arbítrio.

Esse juiz aparentava jovialidade, mas não sei o que deu nele para aceitar julgar uma ação proposta pelo homem de chapéu. Ele nem era advogado, aliás, nem eu sabia o que era o homem de chapéu.... seria ele advogado?

Dr. Rossi agora em seu gabinete , sentado em sua cadeira rústica e de fabricação aristocrática. Escrevia com uma caneta em forma de pena, a sentença.

SENTENÇA
....
Por todo exposto: fundamento de direito. E pela honra que me foi atribuída em função do cargo que exerço, pondero o pedido em questão, julgando IMPROCEDENTE a declaração de INEXISTÊNCIA DA JUSTIÇA formulada por autor que se julga homem além da Justiça e de Deus.

_________________
Leonel Rossi
Juiz de Direito

Estava acabado, Leonel tinha dado a sentença... só faltava uma coisa: assinar a sentença, e pronto, fim do homem de chapéu. Uma gota de suor escorria de sua testa passando pelo seu rosto. O que estava acontecendo?-pensava ele- eu estou hesitando! Não pose ser, o que está acontecendo comigo? Jamais tive duvidas ao aplicar a lei e os princípios do direito. Por toda minha vida fui um homem abençoado e convicto do que era certo, do que era justo... para mim era evidente. Mas agora, O QUE É A JUSTIÇA?
Não importa, isso é o diabo me tentando... sou discípulo de Deus e acredito na Justiça dos homens como sendo uma extensão inacabada da Justiça do grande mestre divino... vou assinar a sentença a qualquer custo e declarar o que já é a verdade absoluta.

Leonel agora encarava o processo recém autuado por ele mesmo como algo pessoal: jogou a caneta em forma de pena para longe e retirou do bolso do seu paletó italiano uma caneta de ouro puro, na qual usava para assinar as sentenças de mais peso e relevância para a sociedade.
Ao tocar a ponta da caneta no papel, ele ouve um estrondo.

Era o homem de chapéu que entrava em seu gabinete aplaudindo e sem pedir licença--. Leonel olhava assustado para aquela figura de preto que para ele parecia a reencarnação do próprio diabo.

--Afaste-se ou chamarei a segurança -- gritava o juiz-
--Não se preocupe doutor, vim apenas pegar a assinatura para minha sentença.
--Como assim sua sentença? Já julguei o seu pedido, somente me falta assinar, o que estou prestes a fazer!
--Não se dê ao trabalho! Trouxe aqui a sentença já pronta, não se dê ao trabalho! -falava sinicamente o homem de chapéu-
Entregou a Leonel um apanhado de folhas que julgavam procedente o seu próprio pedido.
--É um absurdo, isso não vale nada, não é legitimo...o senhor não pode proferir sentença alguma! Isso não passa de um engodo.
--Exatamente-- disse o homem de chapéu-- Por isso preciso que assine esta sentença. E se se recusar, Leonel, será castigado!
--Leonel, faça uma força e lembre-se do parque, da árvore, da sua irmã que pendia como uma maça podre... você se lembra? ela estava caindo. E você, covarde! tremia de medo em cima daquela árvore e não tinha forças para apanha-lá. Tadinha, ela gritava tanto mas o irmão covarde tinha medo de apanha-lá.
--Cale a boca maldito!!! Como você sabe; você não sabe de nada.. minha irmã.--Leonel falava, ao mesmo temo que lágrimas escorriam pelo seu rosto--.

O homem de chapéu aproximou-se mais da mesa onde estava Leonel e inclinou-se em sua direção. Leonel parecia recuar com os olhos.
-- Sabe o demônio que salvou sua irmã?-- falou quase sussurrando no ouvido do Juiz.
Leonel agora lembrava: em vez de salvar sua irmã se arrastando até a ponta do galho em que ela estava pendurada, segurando-se com toda suas forças, ele rezava. Rezava para Deus enviar um anjo que salvasse sua irmã antes de cair. No entanto parece que o Deus em que ele acreditava havia lhe virado as costas, e quem aparece é um demônio vermelho de longas asas. Tal demônio vinha dos céus pronto para agarrar a garotinha pelas pernas. Segurava-a como um frango pronto para o abate. Parecia que ia devora-lá... Leonel não parava de chorar gritava para que Deus libertasse sua irmã das garras daquele demônio maligno.
--Leonel, eu ordenei para que o demônio lhe devolvesse a sua linda irmã. Inclusive eu a vi no protocolo desse prédio asqueroso. ah, como estou com tempo livre, acabei de marcar um encontro: eu e ela a sós. Sabe como é Leonel, eu tenho uma queda por loiras de olhos azuis. No entanto, eu vim cobrar o preço pela vida dela... ASSINE A SENTENÇA MALDITO!!

Leonel nada podia fazer diante da ameaça do homem de chapéu, que apesar do tom de vós parecia tranqüilo, com o seu sorriso sarcástico característico.

O homem de chapéu de forma furtiva retirou a caneta de ouro na qual Leonel supunha que ia assinar sua sentença, levou a até a boca e a partiu com os dentes. Logo após, pegou sua caneta e a entregou para Leonel reinteirando para que ele assine a sentença.

SENTENÇA
....
Diante da obvieidade das alegações aqui explanadas, é evidente que a sentença só poderia chegar a uma única conclusão, mesmo, quem sabe: contrária ao direito e a superstição de alguns tolos, ou da maioria deles.
Quando se joga os dados, deve-se aceitar as múltiplas possibilidades da vida. Ousa-se para reinventar. Diante disso JULGO PROCEDENTE A AÇÃO DE INEXISTÊNCIA DA JUSTIÇA.

_______________
Leonel Rossi
Juiz de Direito

Leonel agora suspirava, com a caneta na mão e com lágrimas nos olhos, assinava a sentença -- nesse momento o homem de chapéu caminhava até a grande janela do gabinete e a escancarou--.

E agora Leonel, é capaz de viver com essa decisão ou prefere dar um fim a sua vida? --perguntava o homem de chapéu , sorrindo e fumando seu cigarro.

Leonel-- agora sério-, levantou de sua cadeira, ajeitou a gravata, atirou a caneta no lixo que encontrava-se encostado na parede a sua esquerda, e andou em direção a janela. Colocou o pé direito para fora da janela, o vento esvoaçava seus cabelos e dava vida própria a sua gravata-- ele jamais percebera que seu gabinete ficava tão alto, tão alto naquele prédio; só agora ele percebera quão distante estava das decisões que proferira--, agora mais um passo e estava totalmente fora do prédio, amparado só pela passagem de sustentação para não cair.

Antes de se jogar do trigésimo andar, Leonel pensou: não se deve viver com o peso de um arrependimento.

O homem de chapéu guardou a sentença, agora devidamente assinada por um Juiz de Direito, e se retirou do gabinete... sem se esquecer de apagar as luzes antes de sair.





7.7.07

Prelúdio

"Iguais perante Deus" ; "Iguais perante à lei".... Igualdade, sobretudo deve haver igualdade.

SIRVA O MAIS FRACO AO MAIS FORTE, pois foi assim que eu vi! Eis o que lhe incita a vontade.

Dois mil e quinhentos anos se passaram desde a morte de Deus, no entanto a humanidade insiste nos pressupostos da igualdade universal e ética universal.

Em meio a difíceis erros e acertos a união fraterna entre as nações foi necessária para superar as crises climáticas e a falta de alimento que começava a eclodir. Era uma luta entre o homem e seus meios de subsistir. Acordos comerciais, financeiros, humanitários de toda espécie começaram à dissipar à desigualdade existente entre os povos dando inicio a união entre países. Em meio a dificuldade daqueles em manter grandes fortunas, pois todo o dinheiro não mais tinha o valor almejado, o capital foi dissipado.

O dinheiro não tinha mais o valor de sempre, pois todo o capital devia ser empregado na expansão das colônias ao redor do sistema solar. União Global, Constituição Global e Lei global eram termos agora em voga. A noção de país e nacionalidade foram substituídas por termos da união global que envolvia o mundo.

A unidade entre todas as nações foi alcançada e os problemas outrora enfrentados como o clima e a desnutrição de parte da população foi solucionado. Todo conhecimento da Terra era agora direcionado ao desenvolvimento da filosofia, ciência, arte e lazer.... Sistemas de ensino foram totalmente reformulados para a máxima exacerbação das potencialidades humanas: visão, audição, tato , paladar e olfato eram minuciosamente trabalhador para despertar o dom de cada indivíduo.

Na política, perdeu-se o interesse pelo voto. E conseqüentemente aqueles que exerciam algum poder de decisão para o rumo da humanidade unida se perpetuaram nos seus postos por descendência sanguínea.

Após a união global e a revolução no sistema de ensino dando prioridade a filosofia, ciência, arte e lazer, percebeu-se que existiam homens aptos ao livre trabalho envolvendo políticas, homens que se destacavam pela sua exuberância física e homens cuja felicidade encontrava-se em trabalhos específicos.

Foi inicio de uma nova era!! O sistema de CASTAS... A própria desigualdade era agora principio norteador, e não mais caótico.

23.6.07

DAM-RYOC (CORAGEM)*

O praticante que participa de competições deve entender que ela é agressiva, que é um tipo de guerra entre dois lutadores, portanto o competidor deve:

- Ignorar o cansaço e uma possível contusão que possa ocorrer;
- Dominar o medo e nervosismo;
- Ignorar as possíveis vantagens do oponente nas lutas;
- Tomar a iniciativa rápida do ataque, ignorando a reação do oponente;
- Não perder a oportunidade de contra-atacar;
- Almejar a vitória até o último segundo da luta;

Este comportamento você só conseguirá quando tiver coragem de superar a preguiça nos treinos.

* KIM, Yeo Jun. O Manual dos Campeões TAEKWONDO: São Paulo, AWA, 2ªEd, 2006.

11.5.07

A Justiça no banco dos réus.

Escancarou as portas do tribunal do júri e entrou. Seu sapato fazia *toc*toc*toc* no piso de madeira enquanto caminhava em direção a mesa do juiz. Olhava para um lado e para o outro; existiam quadros pendurados nas paredes que mostravam julgamentos públicos no período em que Roma quase dominara o mundo.

Passou ao lado de uma mulher, não reparara bem em seu rosto... continuou em frente! Deu a volta por trás do que lhe parecia um palco subiu um degrau; afastou uma grande cadeira esculpida em madeira com um forro vermelho e sentou confortavelmente. Olhou a sua frente e via como se fosse o lugar para uma platéia, mas as cadeiras estavam vazias. Abaixou o olhar; viu um pequeno cercado em volta de uma cadeira. Sentada nesta cadeira encontrava-se uma mulher. Ela era muito bonita: era magra, possuía longos cabelos loiros, trajava um vestido branco longo, cujo limite era os pés. Nas suas mãos ela empunhava em direção ao homem de chapéu uma balança, no qual os pesos eram desiguais. No entanto, ele parecia surpreso ao perceber tardiamente que seus olhos estavam vendados. Cega -- provavelmente pensara--.

O homem de chapéu sentado na cadeira de juiz olhava para aquela moça que despertara desejos em tantos homens.... ele sorria, seu sorriso maroto e zombeteiro. Ela então levantou-se e disse em voz alta: Eu criei o poder do que é justo, da ponderação, da eqüidade. Sou a JUSTIÇA. E esta é a minha balança --mostrava a balança--.

O homem de chapéu retirou um maço de seu paletó. Pegou um cigarro levando-o delicadamente até a boca. Após acendê-lo.... o primeiro trago levou a fumaça de mel até seus pretos pulmões. Olhou com bastante atenção a fumaça que expelia pela boca e via como ela facilmente vencia o peso da gravidade.

EU SOU A JUSTIÇA- gritava aquela mulher --. No entanto, aqueles que me eram fieis, corromperam-se, venderam-se, prostituíram-se. Fui desonrada, vendida... Nada mais me resta. Agora "eu devo" ser julgada em meu próprio tribunal, pois os criminosos são e devem ser julgados como iguais.

O homem de chapéu sorria, seu sorriso era branco e sarcástico, um sorriso lateral, daqueles que se mostra o canto da boca.

Homem de chapéu, tu que és um infame, imoral, inescrupuloso... não possui leis nem regras a seguir. Somente vos sois capazes de me julgar.-- esbravejava a loura--

O homem de chapéu levantou-se da cadeira afastando-a para trás. Retirou o cigarro da boca e jogo-o próximo a cadeira dos réus, onde estava a JUSTIÇA. E então ele desceu as escadas do palanque e caminhou até a cadeira do criminoso.

O que faz aqui homem de chapéu!!! Deve me julgar lá de cima! -- falava--

Vim para baixo, vim dar tua sentença... já sei qual a sua punição.
Ó que ela seja JUSTA, mereço não menos que a morte.
Qual a minha sentença?
Sua sentença é .... ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA!!! hahahahahahahahahahahahahahahahaha
Por que, mas porque estou sendo absolvida de todos esses crimes? -- inconformada era a justiça!--

Não conheço pena ou peso maior do que o arrependimento, se pudesse tiraria-o de você. Mas tu herdastes esse mal.
Quando os homens não mais lhe seguem... isso não quer dizer torpeza de caráter, mas uma descrença em seus ideais. Os homens agora procuram a satisfação de seus prazeres mediante o luxo momentâneo. Não conseguem mais olhar o futuro... Não existem culpados! Isso é apenas a vida que segue o seu curso. Justiças caem e Justiças levantam, sua justiça que crê ser absoluta, não existe.
A descrença dos homens no ideal de justiça é terreno preparado para novos valores, para novas formas de viver. Sou o homem de chapéu e posso ver graças a um sentido que me foi herdado. Posso ver que novos homens estão sendo preparados para este mundo.
Esperai-os, Ó novos homens! Eles são a ponte para novas formas de viver. Eles têm os seus próprios sonhos infames, e buscarão realiza-los.
Isso é o que eu chamo de paixão.

E você velha justiça! Sabe o que é paixão?

O homem de chapéu agarrou-a pelos braços inclinou o seu corpo sobre ela e a beijou. Logo após em seu ouvido, pronunciou a seguinte frase: isso é paixão!

5.5.07

O chapéu divino.

Segurava uma travessa de cereais com leite diante da janela. Aquela paisagem branca era nostálgica, pois tudo estava parado: as arvores, os carros. Não haviam pessoas andando pela rua.

Fui até a cozinha, coloquei o resto do cereal em cima da bancada...corri até o meu quarto no andar de cima , coloquei outra calça de lã por cima da que estava vestindo, vesti as minhas botas, coloquei um sobretudo por cima de tudo sem esquecer o cachecol e o gorro. Corri de volta até a cozinha, abri a porta dos fundos e fui até a garagem pegar a minha melhor lanterna. Logo após, procurei o controle remoto do portão eletrônico. Fiquei surpreso, após encontra-lo debaixo de uma pilha de ferramentas velhas. Clik! O portão abria lentamente, rangendo como de costume, de baixo para cima entrava um vento gelado.

Caminhei até o lado de fora - aquela manhã estava mais escura do que o de costume-- liguei a lanterna e fui caminhando pelo bairro em direção a praia.

Aquela paisagem era macabra: às arvores não se mechiam, os carros estacionados cobertos de neve até o topo e não haviam pessoas pela rua. Com minha lanterna acesa eu iluminava a janela de algumas residências enquanto olhava para as mesmas, tentando encontrar sinal de vida. Mas era inútil! Ou estavam todos reclusos, ou eu não saberia explicar. Quem sabe talvez estivessem todos mortos -- acabara de passar por um termômetro que media a temperatura em -40ºC--.

Chegando até a praia, caminhei pela areia em direção ao mar. Meus pés afundavam na areia que parecia mais raspa de picolé. Sentia meu nariz congelar, o que me fez levar minha mão esquerda que encontrava-se no bolso do meu sobretudo, até a face. Parei antes de encostar meus pés na agua. O mar estava calmo; joguei o feixe de luz da minha lanterna para o horizonte mas nada encontrara. Então joguei o feixe de luz a minha direita em direção aos rochedos -- aquela luz parecia um farol de avião, cortando as trevas daquela manhã ---.

Iluminei uma figura estranha bem ao longe: parecia um homem, e eu via uma pequena centelha de luz saindo dele. Fui em direção aquela visão, caminhando sobre a areia que parecia raspa de picolé. Meus pés afundavam, mas eu era persistente. Queria alcançar aquela pessoa que me parecia o único sinal de vida daquele mal tempo.

Pareciam horas, meses e anos de caminhada-- na realidade eram alguns metros--. Quando finalmente cheguei, ele nem mesmo incomodou-se com minha presença. Eu o via de perfil, pois ele estava olhando para o mar e se punha em direção ao mar. Trajavam um terno muito bonito, escuro, negro como aquela noite, uma camisa social branca por debaixo, uma gravata preta, por cima de tudo um sobretudo negro como se fosse uma pele escura de um lobo, botas negras e um grande chapéu social negro. Fumava um cigarro, cujo odor me lembrava mel.... mel de abelha!... o mais fino mel!.

Virou-se para mim! Retirou o chapéu: os cabelos negros caíram sobre seus olhos, seu nariz e sua boca, derrubando o cigarro que extinguiu sua centelha ao atingir a areia congelada. Soprou a fumaça sem muita força, parecia que sua cabeça estava em chamas. Retirou o cabelo do rosto com sua mão direita e retornou a colocar o grande chapéu.

-Quem é você? -- perguntei com voz trêmula-
-Tornei-me a mim mesmo. Por isso sou o preferido de Deus! -- a coisa respondeu com um sorriso satírico no rosto--

Uma sensação de horror tomou conta de mim, dei as costas para aquela coisa e tentei correndo me livrar daquela situação. Corria , corria, mas eu parecia não sair do lugar. Então, quando o pânico tomou conta de mim eu tropecei em minha própria consciência e cai de rosto na neve. Levantei minha cabeça e lá estava ele. Sorrindo para mim -- como era possível? eu havia corrido tanto! -- Minhas lágrimas se congelavam antes mesmo de escorrerem pelo meu rosto.

Ele veio em minha direção levantou os pés; os seu sapato brilhava. Provavelmente o tinha engraxado....puff! Esmagou o meu rosto contra a neve. Perdi a consciência.

Eu estava flutuando no espaço. Via mundos, via homens que não pareciam homens. Via homens, via monstros.... via coisas! Um cômodo! Era isso... vários ternos e chapéus pendurados. O que era aquilo eu me perguntava? E uma voz respondia: são eles os homens deuses. Caminhavam em direção as vestimentas e as vestiam. Todos eles usavam chapéu.

Agora eu via o meu planeta. Sabia que era a Terra, meu adorado planeta Terra. Parecia ainda estar em processo de formação. Por cima do magma fervendo caminhava o homem de chapéu, sorrindo, e seu sorriso era escárnio. Agachou sobre o magma e com as mãos retirou um pouco de pedra derretida e disse sorrindo em voz alta: QUE O QUÊ É INORGÂNICO AGORA TORNE -SE ORGÂNICO. E então aquela coisa em sua mão começou a se mexer, aquela coisa unicelular, estranha e apática, começara a se mexer, começara a viver!

Abri os olhos e voltei a consciência. Eu continuava caido de bruços na neve e o homem de chapéu continuava em minha frente.

Levante-se -- disse sorrindo--

Levantei-me sacudi a neve em meu sobretudo e ele disse:
--Pobres homens, em minhas peregrinações pela sua história, tudo resumiu-se a uma única frase: "vontade de domínio". Tudo em sua constituição é domínio. Cada célula do seu corpo quer energia, quer ascender, quer dominar. Cada órgão com sua função quer dominar... cada partícula quer dominar. Igualmente, cada idéia, cada desejo quer ser dono de si mesmo e só enxerga a si mesmo.
O seu deus e seus ideais não passam dessa vontade instintual: essa vontade de domínio que quer perpetuar conceitos. O seu deus é resultado da pequenês de sua lógica que maravilhada pelas coisa do universo é incapaz de compreender sequer 1% dele. O seu deus é sua ignorância. É a sua incapacidade de enxergar além. Tu queres perpetuar o seu deus, mas se ao menos fossem deuses!

Aquelas palavras me deixaram pesado, como se eu carregasse chumbo em meus bolsos.

Desmanchou-se como fumaça em minha frente.... tentei com todas as minhas forças apanha-lo com as mãos, mas ele me escapou. Aquele maldito homem de chapéu...Peguei a minha lanterna estendido no chão e caminhei em direção sul. Em direção a rua.

Vi um carro de polícia estacionado, com as sirenes ligadas. Iluminei-o com a lanterna enquanto caminhava em direção a ele. De lá saiu um policial trajando roupas pesadas. Assenou com as mãos. E , quando cheguei até ele, me ofereceu-me um pouco de café. Aceitei prontamente e entrei no carro. Pedi para que me levasse em casa... enquanto iamos, ele me perguntava o que eu fazia na praia em uma "NOITE" como aquela.

Perguntei a ele se acreditava em deus?
-- Mas é claro. Sou um servo de deus. -- respondeu-me com um tom bastante sério--
-- E você acredita em deus? -- perguntou-me-
-- Sim! Eu acabei de vê-lo. Ele usa chapéu.

26.4.07

O crucificado: nobre ou escravo?

Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.


Após estas palavras proferidas por Jesus, em meio a multidão de fariseus que se dissipavam, um homem trajando uma vestimenta não conhecida da época- usava um chapéu grande e preto, conhecido hoje como chapéu social-- e com uma pedra na mão, aproximou-se de Jesus e pois-se a baixar a cabeça.

Jesus então, tocou-lhe no ombro e disse: meu filho, tu es mais antigo do que eu. O que fazes nesta terra?
-- Estava pronto a atirar esta pedra. Veja como ela brilha quando a ponho contra o sol!
-- Queria atira-la contra aquela pobre mulher, mas não o fez. Pensaste melhor a respeito do pecado que porventura cometestes?
-- Não conheço pecado algum, a não ser o pecado cometido contra a vida -- disse o homem sorrindo ironicamente.
E tu filho de Deus? Comete o maior pecado quando daqueles homens começa a surgir a consciência de culpa. Peso maior terão de carregar eles e seus filhos.... Digo que fosse melhor que tivessem atirado todas as suas pedras. Mas agora sentem-se culpados.... não tanto a si mesmos mas seus filhos herdarão.
-- Homem antigo eu vos digo se tivesse apedrejado aquela pobre mulher, ao meu pai não poderia satisfazer!
-- Tu intitula-se filho de seu pai, mas se tivesse mãe eu diria: não há pecado maior do que àquele cometido contra a vida.
Se em prol de sua mãe tivesse agido, teria dito que somente na natureza o mais forte se insurge contra o mais fraco. Mas assim faz, somente quando a fome ou o desejo sexual torna tudo necessidade. Todavia, os olhos daqueles homens eu só via ódio. Não via fome e nem desejo sexual.
Agora eu vejo a culpa. E vejo a culpa nos seus filhos e nos filhos que estão por vir, pois a onde eu vivo a guerra foi travada contra os últimos homens que ainda louvam o seu nome.
-- Homem antigo, conheço todos os filhos de Deus. O pecado a que tu dizes eu não conheço e nem a meu pai, pois só cumpro a vontade do meu pai.
-- Sou o filho do demônio e o único que conhece o peso do destino. Venho de um mundo em que instituições foram criadas para perpetuar o que vos dizes. Mas apenas como fundamento de sua vingança pessoal.
Eles intitularam-se "últimos homens"

Cada princípio ou cada diretriz que encontra seu fundamento e sua suprema justificação em "além-mundos" necessita da força psíquica de cada homens que nela deposita sua fé. Tal força cria no princípio um centro de gravidade que atrai outros homens. Tal atração gera um peso que engendra cada homem de forma que ao princípio seja submisso. Sua simples crença ou sua hipocrisia pesam ainda mais sobre ele.
O homem de chapéu: sobre ele não existe mais o peso gravitacional do princípio. Agora ele vaga livremente pela história criando suas verdades como um homem livre. Este homem de chapéu agora vê no riso irônico a única forma de castigar os homens. Este homem a-histórico vaga pelos mundos como uma alma ou espírito errante e sobre ele os homens tentaram lhe por o peso de suas calúnias.
Demônio, satânico, imoral, injusto.... todos os adjetivos que o homem encontrou na sua própria sombra e destino, tentaram fazer pesar sobre o homem de chapéu. Tudo isso fez dele alguém com má reputação. Mas o que importa isso ao homem de chapéu? Sua má reputação agora cria a sua boa fama.
Fechem os olhos, últimos homens. Em seus sonhos jamais viram um homem de chapéu? Um homem negro, semelhante a um carvão. Ou era branco como leite azedo e sua vestimenta era negra como é o espaço infinito?
Ele ri, ri de suas calúnias, pois ele não ama os homens e não seria capaz de morrer pelo homem.

"Retirou do bolso oculto em seu paletó um cigarro e o levou até a boca, mais precisamente no canto esquerdo de sua boca... olho para o alto e viu uma estrela, cujo brilho ofuscava os seus olhos; então pensou: ela esta tão longe que provavelmente não existe mais. Riu em voz alta!!! Alí está o meu próximo destino!!! E assim caminhou em direção a ela...."

O crucificado: nobre ou escravo?

Teria sido o crucificado, um homem nobre?

vos dizia que com o arrependimento viria o perdão; no entanto ele nunca arrependeu-se
vos dizia que atirasse a primeira pedra aquele que nunca pecou; no entanto jamais atribuiu-se algum pecado
vos dizia que amasse o próximo como a ti mesmo; no entanto amou mais o próximo do que a si mesmo
vos dizia que diante do pai todos são iguais; no entanto diante dos homens não considerava-se como igual
Perdoa os homens pois eles não sabem o que fazem, assim foi crucificado. Um homem que certamente nessas palavras não sentia-se igual!
Com o coração afastado do ressentimento, amou mais aos homens do que a mãe terra, assim foi crucificado.

A figura trajava um terno preto e um chapéu social preto. E após seu breve discurso sobre Jesus para um platéia que se alto denominava "últimos homens", abaixou a cabeça retirou um cigarro com a mão esquerda do bolso de dentro do paletó e o levou até a boca, ao mesmo tempo que retirava um isqueiro prateado do bolso da calça.
Lembro-me que as duas tentativas iniciais para acender o cigarro falharam;-- a platéia olhava estupefata, aquela cena que parecia nostálgica--mas na terceira tentativa uma chama azulada ascendeu o cigarro daquela figura e, após o primeiro trago, uma fumaça adocicada invadiu o recinto.
Senti naquele momento que meu espírito libertava-se das amarras de um destino cruel. Não fui capaz de me intitular último homem.

20.3.07

Amor e coisas afíns.

Existem coisas mais importantes que o amor, como por exemplo, um homem não pode deixar de ser aquilo que ele é: quando pronunciei estas palavras meu corpo todo estremeceu; quando aquela coisa falou através de minha boca.

Continua...

13.2.07

Você seria capaz?

De dizer sim, sendo que sua religião diz não, sua familia diz não, e a sociedade diz não?
De remar contra a maré?
De lutar por um sonho impossível?
De seguir suas paixões?
De lutar com alguém mais forte?
De estender as mãos para o seu assassino e dizer: torne-se mais forte e tente novamente?
De questionar a sua voz da consciência?
De agradecer a si mesmo a cada coisa extraordinária que te sucedes?
De se considerar um pequeno Deus?
De buscar conhecer a si mesmo?
De nunca punir, mas ao contrário, ser o exemplo?
De sorrir diante da morte?
De ser você mesmo?

Você seria capaz?

12.1.07

Uma sociedade aristocrática produz cultura nobre.

"Determinação Herdada. O destino dessa era e o sonho das pessoas. Essas são coisas que não serão detidas. Enquanto as pessoas buscarem o sentido da liberdade, tudo isso jamais deixará de existir!" Gold D. Roger

Percebam bem o que há por trás dessas palavras. A liberdade não é algo por si só. Não tem um sentido determinado como pregam as nações. Ela é uma busca individual de cada ser humano, donde se dá um sentido, um valor, atribui-se uma virtude.

Quebrar resistências e superar-se, cada pessoa deve ter consciência de suas fraquezas e, para libertar-se delas, é necessário cercar a liberdade de uma perspectiva individual e peculiar.

Estar livre? Ter o direito de ir e vir? Ser cidadão de uma sociedade democrática de direito? Nada disso é liberdade... liberdade é individuação. Sua liberdade pode ser minha escravidão!