26.3.06

O homem acima de qualquer julgamento.

Imaginem que o quê certa doutrina vos fala seja a única verdade, verdade absoluta, verdade incontestável. E que um dia todos nós seremos julgados pelos nossos atos. A Justiça absoluta nos condenará ou absolverá nossos pecados.

Obviamente, eu devo me incluir, e um dia eu estarei lá: Jesus ao meu lado direito--queira eu ter esse nobre homem ao meu lado -- e a Justiça à minha frente prestes a me julgar em um grande tribunal. Contudo, um homem como eu que não aceitou nem o bem nem o mal; um homem como eu que sempre tentou viver além do bem e do mal. Meus amigos, um homem como eu não pode ser julgado, pois a Justiça julga a todos como iguais, e eu não sou um igual. A menos que ela crie uma nova justiça eu não poderia ser julgado; mas ela não tem esse poder. E então! A justiça se vê diante de um grande dilema, pois existe ali um homem que não pode ser julgado. E então! A Justiça estupefata, retira vagarosamente a sua venda, para contemplar aquela estranha figura que se encontra à sua frente. E então! Eu sou o primeiro homem que a Justiça vê diante de si. Inevitavelmente ela acaba se apaixonando por mim, pelo motivo de eu tê-la transformado em uma justiça imperfeita!.

23.3.06

O único princípio deveria ser a ausência de princípios.

Verifiquei em meu relógio e nele constava 17:00h. Estava eu próximo a uma palmeira, pés descalços roupa bem confortável olhando para o mar; o vento soprava jogando um pouco da areia fina contra o meu rosto, no entanto, nada tirava a minha atenção para àquele ponto do mar. Olhava fixamente, a uns 300 metros da praia as ondas batiam em um rochedo próximo ao pier. Naquele momento eu lembrava que quando criança um certo professor me dissera: “sabia garoto, a agua é a força mais poderosa desse mundo”. Na minha cabeça aquilo soou muito surpreendente, eu custava a acreditar, pois, como era possível? A água uma substancia tão maleável, tão comum, tão fraca – pensava eu – podia ser a força mais poderosa? Mas era evidente para mim agora, provavelmente em alguns séculos aquele pier e aquele rochedo não iriam mais existir – contive um sorriso—provavelmente a força da agua iria desgastar tudo aos poucos.

Enquanto pensava em tudo aquilo e olhava para o rochedo, uma coisa bem incomum me surpreendeu: a água que se chocava contra o rochedo começou a tomar forma, uma forma estranha e bem humana, uma pequena ondinha vinha em direção a praia e, quando não tinha mais para onde ir se levantou em forma de um homem. Fiquei chocado naquele momento, era um homem feito de água! Ele era transparente: eu podia ver através dele! Eu não podia correr - não queria -. Aquela figura estranha veio caminhando em direção a mim bem lentamente. Parou frente a frente comigo. Enquanto eu olhava para “aquilo” eu via minha própria imagem ofuscada sendo refletida em seu corpo e via o horizonte atravéz dele. Derrepente na altura do coração do lado esquerdo do peito uma centelha brilhou: era um brilho roxo meio avermelhado. Não pude evitar... estiquei o braço para toca-la, minha mão adentrou o corpo daquela figura de água: era água mesmo—pensava eu. Quando inesperadamente o “homem líquido” se desfez diante de mim. Derreteu como um sorvete em dia de sol e ficou lá: prostrado ao chão.

Sem agachar eu comecei a olhar para os restos, ou melhor, para aquela pequena poça dágua que havia se formado. E algumas imagens começaram a se formar para mim: eu via guerras, guerreiros, lutas, vi grandes homens, via Jesus, via César, Hitler, Buda, Filósofos, etc. Sem uma ordem cronológica dos acontecimentos. Meio que sem saber o porque, eu pisei em tudo e desfiz aquelas imagens. Fechei os olhos e por um momento um pensamento me tomou como um raio: todos aqueles homens que eu havia visto tiveram algo em comum, primeiramente eram amorais, até mesmo Jesus – pensava eu. Todos eles criaram sua moral, criaram seus valores, quem sabe até valores absolutos. E viram o mundo a sua maneira, deram respostas ao mundo sem as absorverem de nenhum outro. Contudo, porque será que todos eles se encontravam sob meus pés naquele momentos? A resposta era simples, simplesmente eles já tiveram o seu tempo, a sua oportunidade. Já eu, estava vivo - sentia-me liberto ao pensar assim—e tinha em mãos todas as possibilidades, todos os caminhos, sem qualquer amarra – agora eu sentia-me como o próprio Deus. A criação estava dentro de mim, e de lá, um novo mundo iria se formar. Mas por enquanto a única coisa que eu sabia sobre esse novo mundo era suas siglas, cujo sentido era desconhecido e seu significado uma promessa: SLC

Abri os olhos lentamente e vi uma mulher de vestimenta branca, ela tinha cabelos longos e negros, sua ascendência era oriental. Eu a conhecia, ela é o meu único destino. Seu nome:– solidão.

16.3.06

O destino de alguns poucos homens.

Olá meus caros amigos e raros leitores, mais uma vez encontro-me diante de uma daquelas raras visões onde eu enxergo algo de profundo valor. Pois bem, existem homens que são órfãos de pai e mãe; homens que não se assemelham; homens que nasceram de si mesmos?. A verdade é que todos eles são exceções, pois carregam o fardo da extemporaneidade que basicamente os fazem pessimista e sofredores. A sociedade para esses homens é algo muito pequeno, algo muito simples, algo que não faz sentido. Tendo em vista sua mente sagaz, muitas vezes alguns deles acabam reduzindo certas observações próprias em sátiras, pois só assim se consegue suportar o fardo da sua profunda observação.

Tais homens carecem de amizades ou/e inimizades, sendo que no seu íntimo toda desconfiança dirige-se a eles próprios. Em sua grande maioria eles preferem sua própria companhia; mas às vezes, precisam perder-se de si mesmo e encontrar algo próximo, no entanto, não tão próximo: algo abaixo deles, algo sob a sola de seus sapatos.

Com relação ao amor, esses homens um tanto indiferentes sofrem pelas mulherzinhas: esses seres que os atraem em certas ocasiões, e que os procuram em, também, certas ocasiões. Eles amam, no entanto, seu amor é silencioso, pois sabem de antemão que só existe um único destino --- a solidão.