9.2.06

Fragmentos de uma nova vida.

Estou no decimo andar de um edifício nobre no centro de uma cidade bastante conheceida. Encontro-me no corredor principal, que é saída de todos os apartamentos olhando com desdém para a avenida movimentada, encostado na grade de proteção. Levanto vagarosamente minha mão direita até o bolso de dentro do meu palito, e de lá retiro um maço de cigarros juntamente com um isqueiro zippo. Batendo o pequeno maço contra as costas da minha mão esquerda retiro um cigarro, levo até a minha boca, e com o isqueiro acendo o cigarro fazendo com as mão uma forma de conchinha, pois o vento soprava com bastante força naquele fim de noite. Dou o meu primeiro trago: sinto a fumaça percorrendo meus pulmões e uma indescritível sensação de prazer, até soltar aquela linda figura cinza pela boca e sentir o cheio adocicado que penetrava em minhas narinas, me fazendo lembrar de um velho amigo que há tanto tempo tentara destruir os meus planos, no entanto, embora ele não saiba, eu lhe devo um grande favor.

Bruno , Bruno – essa era a voz que me interrompia os devaneios e me fazia voltar a realidade naquele momento. Olhei à minha esquerda e via aquela figura vestida com um terno azul petróleo antigo e já em frangalhos. Cumprimentou-me e lamentou o fato de eu estar indo embora , de ter abandonado minha profissão. No entanto, disse a ele que ara o melhor a fazer, pois pensava que tudo nessa vida é passageiro, nada dura para sempre, tudo tem o seu ciclo. Pois a verdade é aquela que não consola, ela simplesmente te empurra para a vida. A verdade não é um consolo! É um contorno...

Despedi-me do meu velho amigo-- fracamente, não gostaria de vê-lo novamente—Olhei para a porta do meu escritório que se encontrava atrás de mim. Havia nela uma plaquinha pendurada por um fio de ouro que dizia “ Dr. [Fulano de tal] PhD...”. Nem eu mesmo acreditava ter tido tanta presunção. Peguei o meu cigarro e empurrei delicadamente o seu lado aceso contra a areia da latinha de lixo, apagando-o completamente. Logo após, segui para o interior do meu escritório, e na sala de recepção encontro a minha linda secretária. Um jovem de longos cabelo negros olhos expressivos embora pequeninos e “puxadinhos”, cheio de lágrimas. Aquela jovem dizia-me que não deveria fazer aquilo, era burrice, estupidez: ela arrumava suas coisas e chorava ao mesmo tempo. Eu pensava: as mulheres se apegam muito facilmente às coisas, mas não sei o porque aquilo levava-me a crer que eu era um homem solitário por excelência.

Fui um tanto frio com a pobre senhorita e continue andando até a minha sala. Procurei pela mesa a minha chave do carro, encontrei-a, peguei e fui saindo. Psiu, psiu, você não via pegar suas coisa não? Vai deixar tudo ai? Seus objetos pessoais e sua mobília? – a pobre japonezinha falava, enxugando as lágrimas ...

continua...

Um comentário:

felipe disse...

aê...ta maneiro...faz mais ai da parada logo...
seu blog é o bixo...
abraço