15.12.06

O segredo do irônico.

Se as pessoas pensassem como eu, certamente que este mundo, tal como é hoje , não seria mais viável. Assim como para os meus contemporâneos o mundo de 500 anos atrás não é viável. Por este motivo, sou extemporâneo: um homem, nem ao menos nascido, veio até mim - devia ter uns 500 anos - e contou-me um "segredinho". Este "segredinho" perpetuou um sorriso branco e ascendente no meu rosto, que diminuiu todos ao meu redor.

Quando ando por aí e olho para as pessoas, sabendo o que elas não sabem, faz com que o escárnio tome conta de mim e me tente a sorrir. Meu sorriso branco e resplandecente diminui todos ao meu redor. Pois sei o que eles não sabem, de uma forma que não posso explicar... então, eu sorrio!

A graça, anti-graça está no fato de que tal "segredinho" pertence só a mim. Talvez, daqui a uns 500 anos todos saibam e vivam do modo como penso hoje, mas, dentre os contemporâneos desta época, novos irônicos irão aparecer e sorrir para seus contemporâneos, pois lhes foi contado um novo "segredinho", de uns -- 500 anos!

31.8.06

O que é ser forte?

Ser forte é lutar pela sua própria justiça;
ser forte é viver sem ilusões, utopias, ou ideais;
ser forte é viver seguindo suas paixões;
ser forte é desejar viver o dia de hoje;
ser forte é ser saudável;
ser forte é não arrepender-se;
ser forte é não chorar enquanto lutador;
ser forte é ser criador;
ser forte é ter orgulho;
ser forte é lutar inconsciente;
ser forte é não ter medo do corpo;
ser forte é não negar o instinto;
ser forte é não confundir estar vivo, com estar morto;
ser forte é bom; ser fraco é ruim;
ser forte é ser deus de si mesmo;
ser forte é ser exceção nessa civilização.

"A SORTE FAVORECE AOS FORTES" Alexandre, The Great

28.7.06

Essencialmente injusto

Existem alguma almas que nascem com um dom: o dom da justiça. Para se ser justo o espírito precisa perceber nuances de poder, e ser capaz de um equilíbrio de forças de forma que força A não se sobreponha a força B ou vice versa.
No conflito de interesses , na relação desigual entre indivíduos, sejam forças sociais ou forças psicológicas atuando em conflito, em choque, o Juiz: homem possuidor da ponderação inata, é capaz de equilibrar a balança e tornar a vida dos conflitantes, suportável.
Todavia, quero ressaltar que elevar esses poucos homens a um patamar tal que possam servir de termômetro social em nossas vidas sempre foi e sempre será uma tarefa das mais difíceis. Pois a justiça nao é coisa natural. O mundo é essencialmente injusto, o equilíbrio é rara exceção .... muitas vezes o que sentimos não pode ser recíproco ou não pode satisfazer-se. É como se um desaguar de forças fosse completamente em vão.

O que eu sinto agora: uma fraqueza após uma paixão não correspondia, não recíproca. É inacreditável o fato de como o equilíbrio não existe, e toda uma arbitrariedade leva você a atuar contra você mesmo sem ao menos uma contra partida, uma força contraria que equilibre toda essa potência. Foram dois anos de investidas, para quê? Em apenas uma ou duas semanas uma maldita ave de rapina membro do mesmo rebanho açoitou o coração de minha amada. A tristeza consumiu-me o coração por um tempo. Mas agora minha alternativa é tornar-me JUIZ, juiz de meus próprios sentimentos.

2.6.06

Faces da loucura.

Ela veio até mim e disse: o que eu faço Bruno? estou grávida!! O que eu faço meu amigo? Diga-me o que eu devo fazer, pois estou descontrolada.
Olhei para ela e não sabia o que fazer, meu coração se enchia de ódio e repúdio aquelas palavras. Caminhei para traz lentamente, estupefato... eu sentia um nojo incompreensível; eu queria mata-la e tirar-lhe o filho que havia em seu ventre. Não suportava aquela dor que dilacerava o meu peito e colocava fim ao meu desejo de forma tão brusca: um atentado a minha natureza.
Disse a ela para que jamais me dirigisse uma palavra se quer, pelo resto de seus dias. Virei o rosto e caminhei até a saída.
Maldito seja o demónio que me fez pensar dessa maneira. Eu estava lá... tão tranquilo e sereno caminhando de volta para casa. Quando ele me disse: O que vc faria em? O que vc faria se ela fizesse um filho com aquele crápula?
Eu ria como um louco e pensava: eu vou enlouquecer aqui e agora, no meio dessa gente que não sabe nem mesmo distinguir qualquer merda que esteja um palmo de distância de seus olhos. Finalmente voltei a mim e então, segurei com o braço esquerdo minha bolsa que normalmente uso pendurada em meu ombro. E com o braço esquerdo segurei a porcaria da lei que carregava de volta.... Olhei doravante e corri!!! Corri, Corri! Corri como nunca havia corrido em minha vida, corri tão rápido pela rua que não conseguiria distinguir a face das pessoas que ficavam para traz. Devo ter em menos de cinco segundos percorrido completamente àquela rua. Quando ao seu fim, parei, cansado e ofegante e com as pernas como se estivessem trincadas. Olhei para traz e via os demónios lá parados, incapazes de me perseguirem.

EU VENCI!!!!

20.5.06

Coisas Louváveis.

Louvável seja minha vida;
Louvável seja minha morte;
Louvada seja a justiça, se feita pelas minhas próprias mãos;
Louvado seja o guerreiro, que luta em tempos de paz e de guerra;
Louvados sejam os mentirosos e suas mentiras,
pois estes, ao menos, conhecem algumas verdades;
Louvado seja o único cristão, que morreu em vão;
Louvados sejam meus amigos, pela compreensão;
Louvados sejam meus inimigos, pela superação;
Louvados sejam todos os deuses que pereceram sob meus pés;
Louvado seja a mim mesmo pela capacidade de criar;
Louvada seja a SLC por tornar todo bem e todo mal em coisa Louvável.


E aos caluniadores das verdades, últimos homens, seguidores de velhos ídolos, o futuro lhes será obscuro e sinuoso. Uma guerra de consciência sem precedentes sera travada e as mentes arcaicas inevitavelmente perecerão. Não haverá neste mundo lugar para adoração em qualquer espécie ou grau... A arte levada até o seu extremo: a própria educação.

26.4.06

O melhor governo é o governo de si mesmo

Voilà! À vista, um humilde veterano do teatro de variedades, escalado como vítima e vilão pelas vicissitudes do destino. Esta máscara não é apenas uma mero vestígio de vaidade, é um vestígio da vox populi, que não mais existe. No entanto, esta valente visita de um irritante ser ultrapassado, visa varrer esses vermes venais e virulentos da vanguarda do vício que permitem a viciosa e voraz violação da vontade.
O único veredicto é a vingança, uma vendeta, mantida como voto, não em vão, por seu valor e veracidade que um dia vingará os zelosos e virtuosos.
Na verdade, depois desta vívida verbosidade tão vociferante, só quero dizê-la que é uma honra conhecê-la e você pode me chamar de V. (V de Vingança)

21.4.06

A relha do arado.

Sou um homem bastante sensato, no que se refere a escolha das sementes que irei lançar ao solo para que dêem frutos. Desejo sempre os melhores frutos; os frutos mais doces e pomposos. Todavia, encontro-me cansado. Cansado de separar, pois são tantas sementes e tão variadas; tantos tipos diferentes. Eu gostaria de lançar todas ao solo, sem me preocupar com boas ou más sementes; gostaria de poder colher todos os frutos e saboreá-los sem me preocupar se são ou não venenosos.

Sementes ruins também fazem filosofia, meus amigos, gostaria de nunca pensar em escrever sob o efeito do veneno dos frutos maus. Mas acredito que não exista muita escolha quando sou acoitado por uma paixão na qual eu deveria dizer: basta, sou um homem forte e essa fraqueza degenera meu espírito. Ter consciência de que nada se pode fazer e saber que a fraqueza supera a vontade; ter consciência de que se é fraco, constitui um peso maior do que o ressentimento para um homem viril. Contudo, o que se sucede?

Certa vez, deparei-me com uma linda moça de olhar profundo: ela era um pequena moça de cabelos castanhos pele branca e olhos de mel. Tal moça abraçava um ideal; minha intuição me dizia que esse ideal era forte. Eu a observava, observava seus passos, seu caminho sua meta, mas, sem toca-la. Percebi que o mundo que criei era uma realidade tênue, eu precisava daquela moça, precisava me dirigir até ela.

Aproximei-me dela, e disse Oi. --Ela disse: Oi...

O tempo não parecia bom, pois as horas passavam rápido, dias meses, um ano. Tive uma visão: a moça estava de frente para um espelho, seu reflexo era perfeito, ela jamais me perdoaria se dissesse que era apenas um espelho. Que devia se superar, aceitar a vida pelo que há de imperfeito, pelo que há de mal e de bom.

Ela passou a me odiar, ou talvez a me desprezar -- se há alguma diferença. Ela me amava, mas seu amor era mal para comigo, mas era amor. Sinto-me muito triste por não ter o bom amor, por nunca ter sentido o bom amor da compreensão, os sentimentos agradáveis, os sentimentos que me são mais úteis.

A solidão sempre me acompanhou quando escolhi viver sem espelhos, não posso me olhar em um espelho, minha imagem não pode ser refletida. Eu sou eu, sou meu pai, sou minha mãe, sou meus amigos, meu irmão, sou cada pessoa que anda por aí. Sou deus. Sou um sósia.

26.3.06

O homem acima de qualquer julgamento.

Imaginem que o quê certa doutrina vos fala seja a única verdade, verdade absoluta, verdade incontestável. E que um dia todos nós seremos julgados pelos nossos atos. A Justiça absoluta nos condenará ou absolverá nossos pecados.

Obviamente, eu devo me incluir, e um dia eu estarei lá: Jesus ao meu lado direito--queira eu ter esse nobre homem ao meu lado -- e a Justiça à minha frente prestes a me julgar em um grande tribunal. Contudo, um homem como eu que não aceitou nem o bem nem o mal; um homem como eu que sempre tentou viver além do bem e do mal. Meus amigos, um homem como eu não pode ser julgado, pois a Justiça julga a todos como iguais, e eu não sou um igual. A menos que ela crie uma nova justiça eu não poderia ser julgado; mas ela não tem esse poder. E então! A justiça se vê diante de um grande dilema, pois existe ali um homem que não pode ser julgado. E então! A Justiça estupefata, retira vagarosamente a sua venda, para contemplar aquela estranha figura que se encontra à sua frente. E então! Eu sou o primeiro homem que a Justiça vê diante de si. Inevitavelmente ela acaba se apaixonando por mim, pelo motivo de eu tê-la transformado em uma justiça imperfeita!.

23.3.06

O único princípio deveria ser a ausência de princípios.

Verifiquei em meu relógio e nele constava 17:00h. Estava eu próximo a uma palmeira, pés descalços roupa bem confortável olhando para o mar; o vento soprava jogando um pouco da areia fina contra o meu rosto, no entanto, nada tirava a minha atenção para àquele ponto do mar. Olhava fixamente, a uns 300 metros da praia as ondas batiam em um rochedo próximo ao pier. Naquele momento eu lembrava que quando criança um certo professor me dissera: “sabia garoto, a agua é a força mais poderosa desse mundo”. Na minha cabeça aquilo soou muito surpreendente, eu custava a acreditar, pois, como era possível? A água uma substancia tão maleável, tão comum, tão fraca – pensava eu – podia ser a força mais poderosa? Mas era evidente para mim agora, provavelmente em alguns séculos aquele pier e aquele rochedo não iriam mais existir – contive um sorriso—provavelmente a força da agua iria desgastar tudo aos poucos.

Enquanto pensava em tudo aquilo e olhava para o rochedo, uma coisa bem incomum me surpreendeu: a água que se chocava contra o rochedo começou a tomar forma, uma forma estranha e bem humana, uma pequena ondinha vinha em direção a praia e, quando não tinha mais para onde ir se levantou em forma de um homem. Fiquei chocado naquele momento, era um homem feito de água! Ele era transparente: eu podia ver através dele! Eu não podia correr - não queria -. Aquela figura estranha veio caminhando em direção a mim bem lentamente. Parou frente a frente comigo. Enquanto eu olhava para “aquilo” eu via minha própria imagem ofuscada sendo refletida em seu corpo e via o horizonte atravéz dele. Derrepente na altura do coração do lado esquerdo do peito uma centelha brilhou: era um brilho roxo meio avermelhado. Não pude evitar... estiquei o braço para toca-la, minha mão adentrou o corpo daquela figura de água: era água mesmo—pensava eu. Quando inesperadamente o “homem líquido” se desfez diante de mim. Derreteu como um sorvete em dia de sol e ficou lá: prostrado ao chão.

Sem agachar eu comecei a olhar para os restos, ou melhor, para aquela pequena poça dágua que havia se formado. E algumas imagens começaram a se formar para mim: eu via guerras, guerreiros, lutas, vi grandes homens, via Jesus, via César, Hitler, Buda, Filósofos, etc. Sem uma ordem cronológica dos acontecimentos. Meio que sem saber o porque, eu pisei em tudo e desfiz aquelas imagens. Fechei os olhos e por um momento um pensamento me tomou como um raio: todos aqueles homens que eu havia visto tiveram algo em comum, primeiramente eram amorais, até mesmo Jesus – pensava eu. Todos eles criaram sua moral, criaram seus valores, quem sabe até valores absolutos. E viram o mundo a sua maneira, deram respostas ao mundo sem as absorverem de nenhum outro. Contudo, porque será que todos eles se encontravam sob meus pés naquele momentos? A resposta era simples, simplesmente eles já tiveram o seu tempo, a sua oportunidade. Já eu, estava vivo - sentia-me liberto ao pensar assim—e tinha em mãos todas as possibilidades, todos os caminhos, sem qualquer amarra – agora eu sentia-me como o próprio Deus. A criação estava dentro de mim, e de lá, um novo mundo iria se formar. Mas por enquanto a única coisa que eu sabia sobre esse novo mundo era suas siglas, cujo sentido era desconhecido e seu significado uma promessa: SLC

Abri os olhos lentamente e vi uma mulher de vestimenta branca, ela tinha cabelos longos e negros, sua ascendência era oriental. Eu a conhecia, ela é o meu único destino. Seu nome:– solidão.

16.3.06

O destino de alguns poucos homens.

Olá meus caros amigos e raros leitores, mais uma vez encontro-me diante de uma daquelas raras visões onde eu enxergo algo de profundo valor. Pois bem, existem homens que são órfãos de pai e mãe; homens que não se assemelham; homens que nasceram de si mesmos?. A verdade é que todos eles são exceções, pois carregam o fardo da extemporaneidade que basicamente os fazem pessimista e sofredores. A sociedade para esses homens é algo muito pequeno, algo muito simples, algo que não faz sentido. Tendo em vista sua mente sagaz, muitas vezes alguns deles acabam reduzindo certas observações próprias em sátiras, pois só assim se consegue suportar o fardo da sua profunda observação.

Tais homens carecem de amizades ou/e inimizades, sendo que no seu íntimo toda desconfiança dirige-se a eles próprios. Em sua grande maioria eles preferem sua própria companhia; mas às vezes, precisam perder-se de si mesmo e encontrar algo próximo, no entanto, não tão próximo: algo abaixo deles, algo sob a sola de seus sapatos.

Com relação ao amor, esses homens um tanto indiferentes sofrem pelas mulherzinhas: esses seres que os atraem em certas ocasiões, e que os procuram em, também, certas ocasiões. Eles amam, no entanto, seu amor é silencioso, pois sabem de antemão que só existe um único destino --- a solidão.

9.2.06

Fragmentos de uma nova vida.

Estou no decimo andar de um edifício nobre no centro de uma cidade bastante conheceida. Encontro-me no corredor principal, que é saída de todos os apartamentos olhando com desdém para a avenida movimentada, encostado na grade de proteção. Levanto vagarosamente minha mão direita até o bolso de dentro do meu palito, e de lá retiro um maço de cigarros juntamente com um isqueiro zippo. Batendo o pequeno maço contra as costas da minha mão esquerda retiro um cigarro, levo até a minha boca, e com o isqueiro acendo o cigarro fazendo com as mão uma forma de conchinha, pois o vento soprava com bastante força naquele fim de noite. Dou o meu primeiro trago: sinto a fumaça percorrendo meus pulmões e uma indescritível sensação de prazer, até soltar aquela linda figura cinza pela boca e sentir o cheio adocicado que penetrava em minhas narinas, me fazendo lembrar de um velho amigo que há tanto tempo tentara destruir os meus planos, no entanto, embora ele não saiba, eu lhe devo um grande favor.

Bruno , Bruno – essa era a voz que me interrompia os devaneios e me fazia voltar a realidade naquele momento. Olhei à minha esquerda e via aquela figura vestida com um terno azul petróleo antigo e já em frangalhos. Cumprimentou-me e lamentou o fato de eu estar indo embora , de ter abandonado minha profissão. No entanto, disse a ele que ara o melhor a fazer, pois pensava que tudo nessa vida é passageiro, nada dura para sempre, tudo tem o seu ciclo. Pois a verdade é aquela que não consola, ela simplesmente te empurra para a vida. A verdade não é um consolo! É um contorno...

Despedi-me do meu velho amigo-- fracamente, não gostaria de vê-lo novamente—Olhei para a porta do meu escritório que se encontrava atrás de mim. Havia nela uma plaquinha pendurada por um fio de ouro que dizia “ Dr. [Fulano de tal] PhD...”. Nem eu mesmo acreditava ter tido tanta presunção. Peguei o meu cigarro e empurrei delicadamente o seu lado aceso contra a areia da latinha de lixo, apagando-o completamente. Logo após, segui para o interior do meu escritório, e na sala de recepção encontro a minha linda secretária. Um jovem de longos cabelo negros olhos expressivos embora pequeninos e “puxadinhos”, cheio de lágrimas. Aquela jovem dizia-me que não deveria fazer aquilo, era burrice, estupidez: ela arrumava suas coisas e chorava ao mesmo tempo. Eu pensava: as mulheres se apegam muito facilmente às coisas, mas não sei o porque aquilo levava-me a crer que eu era um homem solitário por excelência.

Fui um tanto frio com a pobre senhorita e continue andando até a minha sala. Procurei pela mesa a minha chave do carro, encontrei-a, peguei e fui saindo. Psiu, psiu, você não via pegar suas coisa não? Vai deixar tudo ai? Seus objetos pessoais e sua mobília? – a pobre japonezinha falava, enxugando as lágrimas ...

continua...